As 154 famílias que moram no bairro da Jamaica, no Seixal, que esperam para ser realojadas vão continuar à espera da promessa que lhes foi feita em 2018: 74 deveriam ter saído entre o final de 2019 e o início de 2020, mas continuam sem resposta, escreve o Diário de Notícias esta segunda-feira. A Câmara Municipal do Seixal garante que “o processo não está parado” e que deverá estar resolvido até 2022, explicando que tem sido dificultado pelo aumento do preço das casas na Margem Sul.

“Temos as famílias identificadas e as casas que queremos também [são 60 apartamentos]. Está a seguir os trâmites legais, mas temos de obedecer às regras, o processo é muito burocrático, tem de ser mais ágil para conseguirmos ir ao mercado”, disse a vereadora responsável pelo pelouro da Habitação, Manuela Calado, em declarações ao DN.

A primeira fase de realojamento do Jamaica, em 2018, mereceu a visita de António Costa, que o “descobriu” no filme “São Jorge”, e o colocou na notícias. O bairro tornou-se ainda mais mediático com uma polémica intervenção policial em 2019, que levaria Marcelo Rebelo de Sousa ao local.

Há dois anos, 167 pessoas foram alojadas em 64 apartamentos comprados no Seixal. Desde então, a autarquia comprometeu-se a retirar as restantes famílias que vivem nas três torres de tijolo, com janelas e portas improvisadas. A segunda fase, no entanto, ainda não foi concluída e não há uma data exata prevista.

O aumento do preço das casas na Margem Sul, que superam os valores máximos a pagar, tem dificultado o cumprimento da promessa feita pela Câmara liderada por Joaquim Santos, do PCP, uma vez que muitas pessoas optam por procurar alternativas de habitação fora da capital. O projeto passa pela aquisição de apartamentos onde estas famílias serão depois colocadas.