O Movimento Raeliano emitiu um comunicado em que responde às críticas que lhe são dirigidas por Erich von Däniken. Em declarações ao Expresso, a 22 de fevereiro, o suíço, afastando a hipótese de a sua teoria — que diz que os extraterrestres visitaram a Terra há milhares de anos, influenciando as antigas civilizações – poder ser transformada numa seita ou religião, tal como tinha referindo dias antes ao Observador, apontou como exemplo os raelianos, admitindo rejeitar aquilo em que acreditam.

O Movimento Raeliano foi criado em 1973 por Claude Vorilhon, um antigo jornalista desportivo francês. Vorilhon, mais conhecido pelo nome de Rael, acredita ter sido contactado por extraterrestres, que lhe terão passado conhecimentos sobre a origem do homem. Segundo os raelianos, os seres humanos foram criados cientificamente a partir da clonagem de uma raça extraterrestre conhecida por Elohim, que surge referida na Bíblia, uma das fontes que Däniken usa para sustentar a sua teoria.

O suíço, uma das caras mais conhecidas do programa “Alienígenas”, do canal História, defende que as diferentes religiões do mundo surgiram depois de os humanos terem sido visitados por seres de outro planeta e que, “quando estes extraterrestres, há milhares de anos, deixaram o nosso planeta, prometeram a alguns humanos que haveriam de voltar no futuro. Esta promessa de regresso tornou-se parte integrante de qualquer cultura do mundo. (…) Nós, os cristãos, acreditamos que, um dia, Jesus vai regressar. Os muçulmanos não acreditam que seja Jesus, mas sim Mahdi. Os judeus não acreditam em Jesus ou Mahdi, mas no Messias, que um dia vai regressar. Não interessa se olhamos para o passado ou para o presente — todas as culturas, todas as religiões, até aos dias de hoje, aguardam o regresso de alguém”, declarou em entrevista ao Observador.

David Uzal, responsável do Movimento Raeliano para os países lusófonos, que assistiu há vários anos a uma conferência do suíço no Rio de Janeiro, considerou “surpreendente ouvir aqueles que passam a sua vida a tentar demonstrar que os extraterrestres estiveram presentes em tempos remotos, na época em que foram criadas as grandes civilizações antigas e as religiões que delas saíram, algumas das quais praticadas ainda hoje em dia, criticar os raelianos com um tom de distanciamento pomposo e ao mesmo tempo inseguro, por misturar ufologia e religião”. “Isso é curioso, incoerente e mesmo idiota!”, exclamou o mesmo responsável num comunicado divulgado nesta terça-feira.

Já para Marco Antunes, arquiteto e autor do projeto da embaixada extraterrestre, que os raelianos portugueses gostariam que fosse construída em Portugal, Däniken ultrapassou “incovenientemente” o “limite”. “Os raelianos mantiveram sempre uma interação cordial com Erich von Däniken, cada um sabendo onde se encontrava o limite com o outro. Hoje, este limite foi inconvenientemente ultrapassado por uma das partes, e seria difícil de entender que ficássemos calados quanto a isso”, declarou o português na mesma nota.

“Von Däniken queixa-se que os arqueólogos se recusam a debater-se com ele. Aceitará ele debater-se connosco?” desafiou Antunes, que assistiu à conferência dada pelo suíço no sábado passado, no Cinema São Jorge, em Lisboa.