Uma publicação que através da visão de 28 criativos nacionais e internacionais exalta o surf, o respeito e partilha de uma cultura do mar, é lançada sábado, em Lisboa, disseram à agência Lusa os promotores.

Intitulada “We’re on the road to somewhere” (“Estamos a caminho de algum lugar”, na tradução portuguesa) – o mote da edição 2018 do festival Gliding Barnacles, evento que alia o surf, à música, arte e gastronomia e que, há dois anos, reuniu na Figueira da Foz fotógrafos de ondas, muitos deles desconhecidos – a publicação, com 30 imagens, tem curadoria do fotógrafo Valter Vinagre, do designer Pedro Falcão e do historiador de arte Filipe Ribeiro.

Este último, na introdução da publicação, invoca a “responsabilidade” de escrever “as primeiras palavras numa publicação eminentemente sobre surf,” bem como sobre “todas as pessoas e energias que, anualmente se reencontram no Gliding Barnacles” (festival que terá em 2020 a sua sétima edição) e as ondas da região da Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra, entre o Cabo Mondego e a praia do Cabedelo, a sul.

É uma responsabilidade que me leva, positivamente, a sentir a aceleração e o pulsar do coração como se estivesse dentro de água à espera de uma onda, nos dias mágicos de fim de agosto”, assinala Filipe Ribeiro.

O designer Pedro Falcão frisa, por seu turno, que a publicação, em formato de 40 centímetros de altura por 30 de largura, com 58 páginas e tiragem de mil exemplares, foi pensada para dar à maioria dos criativos nela incluídos uma fotografia a cada duas páginas, resultando em imagens de dimensão apreciável.

É uma pequena amostra do trabalho de cada um nesse ano [2018]. Mostramos o sabor fotográfico, espelhando o que é o festival, que tem ele próprio um registo alternativo”, argumentou o designer.

A edição em papel é um resumo de uma exposição, cujos trabalhos serão projetados em formato de “slide” e que inclui outras nove fotografias por cada autor, num total de quase 300 imagens.

Pedro Falcão assinalou que, com a projeção das imagens a partir de projetores de “slides”, “há a perspetiva de a exposição poder viajar” pelo país e estrangeiro: “Se as fotografias fossem impressas e emolduradas o custo seria incomportável. Assim é mais transportável e adaptável a qualquer espaço onde haja eletricidade”. Uma ideia partilhada pelo fotógrafo Valter Vinagre, que observou que a projeção de “slides” “pode ser levada para qualquer lado, pode ir até ao Japão e Austrália. De outra maneira o custo [da exposição] seria quase o custo do festival”.

Responsável pela seleção das cerca de 1.400 fotografias que, no total, lhe chegaram às mãos, Valter Vinagre viu todas “em bruto” e ilustra a escolha feita como alguém “que vai por uma estrada ou autoestrada fora e, mesmo com a velocidade, há sempre algo que se vê e fica na memória”. “Aqui também foi assim, vi imagens que soube logo que iam lá estar”, adiantou.

Por outro lado, o facto de estar a selecionar fotografias de autores pouco conhecidos, “tirando três ou quatro”, também ajudou ao resultado final, permitindo que se concentrasse nas imagens.

Se ter autores conhecidos pode ser uma condicionante, neste caso [não ter] foi uma libertação”, enfatizou.

Já sobre a publicação por si editada em colaboração com Pedro Falcão e Filipe Ribeiro, Valter Vinagre, considerou-a uma exposição “que se pode levar para casa debaixo do braço”

É como ter aqueles posters que nos decoravam o quarto quando éramos pequenos. É muito mais agradável ter um objeto, do que ver uma coisa na parede e não levar nada nas mãos. Acho que é muito dignificante, é mais uma peça que resulta do próprio festival”, frisou o fotógrafo.

O lançamento da publicação e a mostra de “slides”, promovidas pela Associação de Desenvolvimento Mais Surf (ADMS), organizadora do Gliding Barnacles, decorrerão durante um evento, a realizar sábado, em Lisboa, a partir das 18h, na Appleton Square, associação cultural e espaço de exposições, localizada no número 27 da rua Acácio Paiva, no bairro de Alvalade.