As dietas são pobres e pouco diversificadas em Timor-Leste, especialmente para grupos vulneráveis, como mães e crianças, com a grande maioria da população a não conseguir pagar alimentação adequadamente nutritiva, segundo um novo estudo.

De acordo com o estudo, concluído em dezembro e apresentado esta semana, a quase totalidade das famílias consegue uma dieta básica, mas apenas entre 15 e 37% destas são capazes de pagar a dieta mais nutritiva.

O relatório “Preencher a lacuna de nutrientes em Timor-Leste” foi produzido em conjunto pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) e pela organização não-governamental timorense Conselho Nacional de Segurança e Soberania de Alimentos e de Nutrição em Timor-Leste (KONSSANTIL, em tétum).

Para o estudo, equipas de pesquisadores analisaram os custos médios da dieta base e da dieta nutritiva em vários municípios de Timor-Leste, deixando várias recomendações ao Governo sobre como melhorar a alimentação da população.

No estudo considera-se que “quase todas as famílias conseguem satisfazer as suas necessidades energéticas”, mas garantir uma “dieta nutritiva que satisfaça as necessidades de energia, proteína e micronutrientes é incomportável para a maioria das famílias”.

Para analisar a situação do país, no documento estabelece-se um padrão de “Custo da Dieta” e considera-se que uma dieta que satisfaça minimamente os requisitos energéticos de um agregado familiar com cinco pessoas custa entre 32 e 60 dólares por mês (entre 29 e 55 euros).

Satisfazer as necessidades nutricionais completas, porém, teria um custo muito mais elevado de entre 158 e 211 dólares por mês (entre 145 e 193 euros), valor elevado tendo em conta que o salário mínimo do país ronda os 115 dólares (105 euros).

A análise teve em conta entre 98 e 128 alimentos disponíveis localmente nos municípios estudados, com os preços da carne, do peixe e dos ovos a serem geralmente duas a quatro vezes mais caros do que os dos cereais, leguminosas e vegetais.

As dietas são geralmente centradas em alimentos base, como o arroz, com reduzida inclusão de vegetais e alimentos de origem animal pelo que, considera-se no estudo, são necessárias “intervenções que abordem a disponibilidade e o acesso a nutrientes e alimentos nutritivos, bem como o poder de compra para fazer face ao fraco acesso à dieta”.

Mulheres grávidas e lactantes, adolescentes e bebés e crianças pequenas correm “risco particular de desnutrição em Timor-Leste devido às elevadas necessidades de nutrientes e à baixa ingestão de nutrientes”.

O custo destes nutrientes, considera, poderia ser reduzido com suplementos de comprimidos, especialmente em questões como ferro, ácido fólico e multivitaminas, sublinha-se.

Entre as recomendações, no estudo defende-se um aumento do orçamento para a merenda escolar, o que ajudaria a reduzir os gastos das famílias com a dieta mais nutritiva, garantindo melhor alimentação para crianças e jovens. “É possível aumentar a percentagem de agregados familiares que seriam capazes de pagar uma dieta nutritiva se for implementado um pacote de intervenções bem concebidas de vários setores (educação, saúde, proteção social e agricultura)”, conclui-se.

“Estes resultados mostram que a responsabilidade pela melhoria da nutrição não depende apenas de um setor do Governo, mas é algo que só pode ser melhorado se todos os setores atuarem em conjunto, de forma coordenada e complementar”, sustenta-se.

Entre outros aspetos, no estudo nota-se que “mulheres são particularmente afetadas pela má nutrição” e que “melhorar a nutrição de bebés e crianças pequenas exigiria pequenos investimentos a curto prazo” com benefícios duradouros.

No estudo aponta-se que melhorar “a quantidade e a qualidade nutricional dos alimentos produzidos” pelo setor agrícola, ainda predominantemente de subsistência, “poderia melhorar o acesso a dietas nutritivas para todos” os timorenses.