Marega tornou-se uma figura ainda maior por uma atitude em Guimarães ao abandonar o campo devido a insultos racistas, foi protagonista de um caso que correu mundo e gerou uma enorme onda de solidariedade, mas perdeu gás nos encontros seguintes. Pode ou não ter estado relacionado com esse episódio mas o maliano passou ao lado do encontro em Leverkusen com o Bayer e voltou a estar muito apagado com o Portimonense. Esta noite, apesar de ser uma eliminatória já sentenciada, voltou aos golos como acontecera com o Vitória antes de ser alvo do pior que o futebol (e a sociedade) pode ter. E essa foi talvez a única boa notícia na noite do FC Porto, tendo a grande referência da última Champions a quebrar o jejum de partidas seguidas sem marcar na Liga Europa.

Os dragões não conseguiram estancar a série de jogos consecutivos a sofrer golos na Europa em casa e sofreram a oitava derrota da temporada, mais duas do que nas primeiras épocas de Sérgio Conceição nos azuis e brancos – e pela oitava vez na história das provas europeias sofreu três golos como visitado, a terceira com o atual técnico no comando. Com isso, a equipa voltou a ser eliminada nos 16 avos da Liga Europa por um conjunto alemão (antes tinha sido o B. Dortmund), ficando agora resumida à luta pelo Campeonato e pela Taça de Portugal, já depois de ter perdido também no final de janeiro a final da Taça da Liga frente ao Sp. Braga, na Pedreira.

“Entrámos bem no jogo, com vontade de fazer golo, de pressionar o adversário na sua primeira fase de construção. Tivemos uma ou outra aproximação à baliza, com perigo, mas faltou a conclusão. Depois na primeira vez que eles vão à baliza fazem golo. Mesmo assim, animicamente, mantivemo-nos no jogo. O Otávio tem oportunidade para empatar e era diferente se fôssemos para a segunda parte com o jogo empatado. No início da segunda parte, nas duas primeiras vezes que vão à baliza praticamente fazem 2-0 e 3-0, assim fica quase impossível. Continuámos, com brio, com atitude, os jogadores nunca baixaram os braços como é apanágio desta equipa, mas o adversário teve mais sorte”, começou por comentar Sérgio Conceição, recusando qualquer impacto negativo.

Afetados? Não faz parte do nosso carácter, do carácter destes jogadores, da forma de estar e pensar da equipa do FC Porto”, assegurou o técnico em relação ao que se segue na temporada.

Em paralelo, o treinador dos azuis e brancos falou também da substituição feita ao intervalo, com a entrada de Pepe para o lugar de Uribe a arriscar tudo com uma linha de três defesas. “Entrámos pressionantes no jogo, arriscámos com a linha de três, subindo o Alex e o Corona, que praticamente eram alas, com os três na frente, Nakajima, Zé Luís e Marega, tendo Otávio e Sérgio no corredor central. Era uma eliminatória e tínhamos de passar, ir à procura de fazer o empate, para depois reajustar conforme o jogo ia andando e os momentos que ia vendo e podendo aqui ou acolá modificar. Infelizmente, na primeira vez que vão à baliza, fazem o 2-0 e aí já se torna muito difícil. Na outra vez fizeram o 3-0. Reduzimos, o Moussa [Marega] teve a oportunidade de fazer o 3-2, eles também tiveram mais uma ou outra situação normal naquilo que eram os ataques rápidos, porque têm jogadores muito fortes nesse momento. É uma equipa extremamente forte, é um candidato a ganhar a Liga Europa, como nós éramos se passássemos hoje este adversário que está dentro de um contexto competitivo acima da média, no melhor campeonato do mundo na minha opinião, e que foi difícil”, explicou.

“Obviamente que estamos desiludidos mas queremos acabar a época com títulos. Agora temos dois que estão ao nosso alcance. Vamos pensar já no jogo de segunda-feira contra o Santa Clara, que vai ser extremamente complicado”, concluiu Sérgio Conceição, projetando a luta pelo Campeonato e a final da Taça de Portugal.