O Conselho do Atlântico Norte, o mais alto órgão de tomada de decisão da NATO, vai reunir-se esta sexta-feira de urgência a pedido da Turquia, devido à situação na Síria, anunciou o secretário-geral daquela organização, Jens Stoltenberg.

A Turquia invocou o Artigo 4 do Tratado de Washington, segundo o qual qualquer aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) pode solicitar consultas quando acreditar que a sua integridade territorial, independência política ou segurança estão ameaçadas.

O secretário-geral anuncia que o Conselho do Atlântico Norte se reunirá após o pedido de consultas nos termos do artigo 4 sobre a situação na Síria”, pode ler-se no comunicado.

Jens Stoltenberg disse que a reunião ocorrerá no nível de embaixadores dos 29 países membros da organização, da qual Portugal faz parte.

O pedido de consultas da Turquia com a NATO ocorre depois de pelo menos 33 soldados turcos morrerem em combates com unidades do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad. Em resposta, o exército turco iniciou bombardeios aéreos e terrestres em posições sírias na parte norte do país árabe na noite de quinta-feira.

Em comunicado, o porta-voz da presidência turca, Fahrettin Altun, disse que “os objetivos do regime [sírio] foram atacados com o apoio do fogo aéreo e terrestre”. Por sua vez, o porta-voz do partido no poder do AKP, Omer Çelik, disse em declarações à emissora CNNTurk que o governo turco conversaria com os membros da NATO esta sexta-feira porque “um ataque à Turquia é um ataque à NATO“.

A pedra angular da Aliança é o artigo 5 do seu tratado fundador, sobre defesa coletiva. Indica que quando houver um ataque armado contra qualquer um dos aliados na Europa ou na América do Norte, será considerado um ataque dirigido contra todos eles e, consequentemente, no exercício do direito de defesa individual ou coletiva legítima, eles ajudarão a parte atacada, mesmo com o uso da força armada.

A Turquia elevou esta sexta-feira para 33 o número de mortos num ataque aéreo realizado na quinta-feira pelo Governo sírio no noroeste do país, um recorde de vítimas fatais para a Turquia num só dia desde 2016.

As mortes representam uma grave escalada no conflito direto entre a Turquia e as forças sírias apoiadas pela Rússia e que está ser travado desde o início de fevereiro.

Na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu um cessar fogo imediato na Síria e avisou que “se não se agir rapidamente, o risco de uma escalada ainda maior aumenta de hora a hora”.

Pouco antes, os Estados Unidos pediram ao regime sírio, à Rússia e às forças apoiadas pelo Irão que ponham termo à “ofensiva hedionda” na província de Idlib, no noroeste da Síria, onde os soldados turcos morreram na quinta-feira.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, tinha já condenado na quinta-feira “os ataques aéreos cegos do regime sírio e do seu aliado russo” na província de Idlib, apelando aos dirigentes de Moscovo e Damasco para que “cessem a ofensiva”.

Na noite de quinta-feira, os militares turcos iniciaram uma série de bombardeamentos, por ar e terra, a todas as posições sírias conhecidas na região de Idlib, depois das mortes dos soldados em ataques aéreos sírio-russos.

Segundo a imprensa turca, o exército estava a ajudar milícias sírias na reconquista da cidade de Saraqeb, situada na autoestrada entre Damasco e Alepo. Saraqeb foi conquistada há três semanas pelas forças sírias.

Há semanas que Ancara insiste com Moscovo para que trave o avanço do regime de Bashar al-Assad, mas sem êxito.

Uma delegação russa está em Ancara desde quarta-feira para negociar um cessar-fogo em Idlib, mas não são conhecidos pormenores das conversações.