As iniciativas políticas no Parlamento para travar as comissões cobradas por serviços bancários continuam a gerar reservas por parte dos gestores do setor.

Depois de a Associação Portuguesa de Bancos (APB) ter tomado uma posição dura, alertando para o impacto que tal medida poderá ter em termos de bancos a operar em Portugal e até ao nível de despedimentos, o presidente executivo do Novo Banco mediu bem as palavras quando foi questionado sobre o tema esta sexta-feira durante a conferência dos resultados anuais.

“Uma coisa é ser técnico, e outra é ser político. E mal dos técnicos quando querem ser políticos e mal dos políticos quando querem ser técnicos. Acredito que toda a gente esteja cheio de boas intenções teóricas, mas o inferno está cheio delas”.

Há comissões, sublinhou que representam serviços prestado que precisam de ser pagos, para serem bem prestados. Depois de admitir que o aconselharam a não responder a perguntas sobre o tema, António Ramalho defende que tem de haver uma ponderação. Porque se é verdade que há comissões cobradas, que são difíceis de justificar, também é preciso ter em conta que os serviços quando não são remunerados tendem a não ser praticados ou a serem de deficiente qualidade.

O gestor recordou iniciativas passadas da Comissão Europeia para travar cobranças no sistemas de pagamento e que resultou na Europa ficar dependente dos sistemas americanos e asiáticos. Ainda que não pareça também uma grande política, transferir receitas das comissões para a margem financeira, como aconteceu no passado quando os juros eram, porque isso acabou por ter um efeito pernicioso, até nos clientes finais. Mas defendeu também que as coisas devem ser claras e lembrou que há funções garantidas pela banca — e que são exigidas pelos reguladores — que representam um custo que não é passível de ser passado para os clientes.

O Parlamento aprovou na generalidade várias propostas para travar ou eliminar a cobrança de comissões bancárias em serviços e transações, em particular nos que recorrem a plataformas eletrónicas como o MB Way. Estas propostas serão discutidas na especialidade na próxima quarta-feira.