Uma escalada de tensões comerciais e o crescimento das ameaças ao multilateralismo, provocando incerteza económica para as empresas, são os principais riscos globais para 2020, de acordo com um relatório da consultora Marsh esta quarta-feira divulgado.

O Mapa de Risco Político 2020 -— realizado por uma equipa de especialistas de crédito da consultora Marsh, com base em informações da agência de ‘rating’ Fitch — conclui que a transição para uma nova ordem mundial multipolar, iniciada em 2019, se irá agravar ao longo deste ano, arrastando consigo desafios associados ao multilateralismo e ao comércio livre.

Num índice de pontuação global de risco político a curto prazo — que classifica mais de 200 países — o território chinês de Hong Kong (assolado por vários meses de violentos confrontos sociais) ocupa a segunda posição, logo a seguir ao Sudão (onde fortes protestos contra o Governo se prolongam desde dezembro).

As negociações comerciais da União Europeia com o Reino Unido, após o Brexit, são o mais relevante fator de risco na região, ao longo do ano, perante a incerteza do desfecho do processo.

Sobre Portugal, o relatório prevê que se mantenha mais quatro anos sob o mandato de um governo socialista e cita dados da agência Fitch segundo os quais o primeiro-ministro, António Costa, se irá apoiar nos partidos à esquerda para governar numa base de acordos de incidência pontual, “que apenas se provará sustentável” durante esta legislatura.

O relatório diz que o Governo de Costa continuará com uma “política fiscal prudente”, procurando reduzir a dívida e o desemprego, ao longo de 2020 e anos subsequentes, o que faz de Portugal um país de baixo risco.

As eleições presidenciais norte-americanas, em novembro próximo, serão um momento catalisador da convergência de uma série de fatores de risco, que afetarão a geopolítica e as estratégias de empresas multinacionais, segundo o relatório.

O relatório mostra preocupação com as relações entre os Estados Unidos e o Irão, bem como com as tensões entre a Rússia e o ocidente, elevando ainda os riscos políticos a curto prazo para grande parte dos países da América Latina, incluindo Colômbia, Chile, Equador, Haiti, Bolívia e Argentina.

Na região africana, países como a Guiné, Mali e África do Sul permanecem com altos níveis de risco, alertando para a instabilidade política gerada por atos eleitorais conturbados.

O Mapa de Risco Mundial assenta parte da sua análise nas conclusões do Relatório de Risco Global, do Fórum Económico Mundial, que foi divulgado em 15 de janeiro, onde as ameaças ao clima e a turbulência geopolítica, no longo prazo, e as confrontações económicas e a polarização política, no curto prazo, surgiam no topo da lista de preocupações.

O Relatório de Risco Global 2020 estimava que a polarização política e económica deverá aumentar em 2020, tornando mais necessária uma estratégia colaborativa entre líderes mundiais que seja capaz de travar as graves ameaças ao clima, ambiente, saúde pública e sistemas tecnológicos.

O relatório apontava ainda para um incremento das divisões entre nações, a par de uma desaceleração da economia global — fatores que geram “turbulência geopolítica” tendente a produzir “um mundo unilateral instável”, onde impera a rivalidade entre grandes potências.