Depois de uma dezena de anos a ver descer a média de emissões de dióxido de carbono (CO2), gás que não é um poluente, mas que é sistematicamente acusado de contribuir para as alterações climáticas, a indústria automóvel tem registado uma subida dos valores libertados para a atmosfera pela média dos veículos comercializados. O que é pouco aconselhável a, pelo menos, dois níveis. No primeiro, é o ambiente que sai prejudicado, mas no segundo são as finanças a sofrer pois, a partir de 2020, os fabricantes são obrigados a respeitar limites de CO2 e, ao mínimo deslize, as multas são milionárias.

De acordo com os dados recolhidos pela Jato, os automóveis novos vendidos em 2007 tinham uma média de 159,1g de CO2/km, valor que depois foi caindo gradualmente. Em 2010, já era de 140,8g, para cinco anos depois atingir 119,2g e, em 2016, anunciar o valor mais baixo de sempre, com 117,8g de CO2. Porém, desde então, a média não parou de subir, fixando-se em 2019 em 121,8g.

Este crescimento tem a ver com o facto de cada vez se comprarem mais carros com motor a gasolina, em vez de a gasóleo, exactamente ao contrário do que acontecia até aqui. E como as mecânicas diesel emitem menos CO2, está justificado o crescimento. Quanto às explicações para o fenómeno, elas devem ser procuradas, por um lado, junto da crescente oferta de pequenos motores a gasolina sobrealimentados, que sendo mais baratos (ainda que com consumos e custos de utilização mais elevados), proporcionam o mesmo tipo de utilização agradável de um motor a gasóleo (pela força que possuem a baixo regime). Mas, por outro lado, a procura por automóveis a gasolina tem sido favorecida pelo temor que alguns condutores sentem de, a médio prazo, o poder político banir a circulação de modelos com motores a gasóleo em determinadas cidades ou regiões.

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Eléctricos e PHEV ajudam. Mas não chega

O aumento das emissões de CO2 no mercado europeu é uma realidade, apesar do crescimento das vendas de veículos eléctricos, que não emitem dióxido de carbono. Sem eles, o incremento de 1,3g de 2018 e 2019 seria superior, com os híbridos plug-in (PHEV) a darem igualmente um forte contributo, uma vez que as facilidades permitidas pelo legislador permitem-lhe anunciar cerca de quatro vezes menos CO2 do que uma versão com a mesma potência e exclusivamente com motor a gasolina.

O ranking dos países onde se emite menos CO2, relativo a 2019 e calculado segundo a norma NEDC e não WLTP, é liderado pela Noruega, com 60,3g, seguida de Portugal (83,2g), Holanda (100,1g), Dinamarca (107,8g) e França (111,1g), com o estatuto dos países que mais dióxido de carbono emitem a pertencer ao Reino Unido, com 127,4g, atrás da Hungria (128,7g), Eslováquia (129,7g), Alemanha (129,9g), Polónia (131,4g) e Suíça, que surge como o país que mais emite, com 137,7g.

Entre as marcas, com dados relativos a 2019, a que mais CO2 emite é a Mercedes, com 140,9g, seguida da Mazda (135,4g), Volvo (133,8g), Audi (130,3g) e BMW (129g). Em posição oposta, o destaque vai para a Toyota, com 99,8g de CO2/km, com larga vantagem à frente da Citroën (106,4g), Peugeot (108,2g), Renault (113,3g) e Nissan (115,4g). Resta saber como vão estes construtores reduzir as suas emissões de CO2 para valores em torno dos 95g, de forma a evitar as pesadas multas que vão ser impostas por Bruxelas a partir da média registada durante 2020.