Uma seleção de pinturas e trabalhos em papel do artista plástico suíço-americano Michael Biberstein (1948-2013), que permite mergulhar nas várias etapas da sua vida artística, vai estar patente a partir de sábado na galeria Jeanne Bucher Jaeger, em Paris.

“Seeing” é o nome da nova exposição das pinturas e obras do artista em papel, que vai estar patente até 18 de abril, sucedendo à grande retrospetiva que lhe foi dedicada, na Culturgest, em Lisboa, em 2018, informa a galeria em comunicado.

Nascido em 1948, em Solothurn, na Suíça alemã, o artista suíço-americano escolheu Portugal como seu país adotivo, onde viveu durante quarenta anos, até morrer, em 2013, com 65 anos.

Uma seleção das principais obras de Michael Biberstein vai ser também exibida durante a Art Paris, no Grand Palais, de 28 a 31 de maio, que este ano tem como foco artistas da Península Ibérica.

Esta exposição fornece uma visão mais profunda das várias etapas da vida artística de Michael Biberstein, desde as desconstruções nas suas pinturas, nos anos 1970, quando a própria estrutura da sua arte era percebida como um sistema de sinais, até à sua longa e meticulosa pesquisa pictórica a partir do final dos anos 1980, com instalações compostas de bambu nas quais se alternam espaços e fendas de finas camadas de tela, instalações que exploram a relação polarizada entre piso e parede ou o contorno de uma forma, ou ainda a perspetiva.

O artista dedicou-se então a estudar o próprio meio da pintura, óleo e acrílico, o declínio de possíveis sintaxes até que alcançou a pintura como uma experiência espacial e temporal “com base numa resposta fisiológica, emocional e intelectual que a cor, a forma e o meio desencadeiam no observador”, afirmam os organizadores. Biberstein rotulou as suas pinturas, nas quais é possível perceber reminiscências de Vernet, Friedrich, Turner, Monet, Cézanne e Rothko, mas também impressões secretas das paisagens orientais, como “máquinas de ver”.

Como escreveu o historiador de arte Delfim Sardo, curador da retrospetiva recente da obra de Biberstein na Culturgest, Michael Biberstein estabeleceu no seu trabalho um raro elo entre a prática da pintura, o uso de uma linguagem conceptual proveniente da filosofia analítica e o foco na paisagem, desde o próprio processo de pintura, até à reabilitação de um entendimento muito específico da contemplação.

Marcado tanto pela pintura romântica alemã quanto pela mais nobre tradição da pintura chinesa e pela descoberta reveladora da obra de Mark Rothko, Michael Biberstein deixou a sua Suíça natal na década de 1960 para estudar História da Arte nos Estados Unidos com o crítico britânico David Sylvester, em Filadélfia, onde paradoxalmente percebeu que a experiência e a linguagem da prática pictórica tinham precedência sobre a teoria. Biberstein também se interessou pela arte paleocristã, na arquitetura das igrejas romanas e na pintura barroca, mais especificamente a de Giovanni Battista Tiepolo.

Em Portugal, no final da década de 1970, primeiro em Sintra e depois no Alentejo (onde residiria por mais de 40 anos), Biberstein considerava a atmosfera propícia à sua prática de pintura.

A retrospetiva que esteve patente na Culturgeste em 2018, intitulada “X”, incluiu desenho, pintura e escultura dos anos 1970 aos anos 1990, de pequena a grande escala, ocupando o espaço expositivo com um percurso que começava com muitas peças em desenho e escultura que nunca ou raramente tinham sido expostas.

A pintura do teto da Igreja de Santa Isabel, em Lisboa — o “céu” que se abre sobre a nave central — resulta do um dos últimos projectos artísticos de Michael Biberstein.