Pelo menos 34 pessoas foram esta sexta-feira mortas, incluindo dois atacantes, e outras 58 ficaram feridas na sequência de um tiroteio que durou seis horas, durante um evento em Cabul em que estava o chefe do governo afegão.

O ataque acabou”, disse o porta-voz do Ministério do Interior, Nasrat Rahimi, acrescentando que, após seis horas, “as forças especiais mataram dois dos terroristas e a área está agora limpa”.

O tiroteio, já reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico, começou cerca das 11h20 locais (6h50 em Lisboa), durante um evento ao ar livre para assinalar o aniversário da morte do líder comunitário xiita Hazara Abdul Ali Mazari.

Os atacantes dispararam a partir de um prédio próximo que está em construção.

Além dos dois atacantes, o porta-voz do Ministério da Saúde Pública, Wahidullah Mayar, disse, em comunicado, que 32 outras pessoas morreram e 58 ficaram feridas, incluindo uma criança.

O chefe do governo, Abdullah Abdullah, e outras autoridades presentes no evento, ficaram ilesos.

“Alguns dos feridos estão em estado grave, com lesões abdominais, e estão a ser operados”, observou Wahidullah Mayar, admitindo que o número de mortes pode aumentar.

Muitos afegãos viram ao vivo, através da televisão, o início do ataque, que coincidiu com o discurso do presidente do Conselho Superior da Paz, Karim Khalili.

Foi um ataque maligno. Começaram a atirar diretamente para a plateia e para o palco”, contou Khalili, em declarações ao canal local Tolo, horas depois de as imagens do início do ataque se terem tornado virais na Internet.

“Todas as autoridades de alto nível foram retiradas com segurança do local do ataque“, explicou Marwa Amini, porta-voz do Ministério do Interior, à Efe.

Um porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, rejeitou a autoria do ataque na rede social Twitter. “O ataque no encontro em Cabul não está relacionado com os combatentes do Emirado Islâmico” (como os talibãs se autodenominam), salientou Mujahid.

No ano passado, também durante um evento pelo aniversário da morte de Mazari em que Abdullah estava presente, pelo menos 11 pessoas morreram e outras 95 ficaram feridas num ataque com morteiros, que foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

O Presidente afegão, Ashraf Ghani, condenou o ataque desta sexta-feira através de uma mensagem no Twitter, na qual descreveu o que aconteceu como um “ataque contra a humanidade e um ataque contra a unidade do Afeganistão”.

Conversei com os meus irmãos Abdullah Abdullah e Khalili. As autoridades de saúde foram chamadas a ajudar as vítimas. As forças de segurança responderão de maneira contundente contra os responsáveis do ataque”, acrescentou.

O incidente ocorre após a assinatura de um acordo de paz histórico entre os Estados Unidos e os talibãs na semana passada em Doha, no Qatar, que abre a porta à retirada militar total dos americanos do Afeganistão após 18 anos de guerra.

Segundo a Associated Press (AP), o acordo prevê que dos 13 mil militares norte-americanos presentes no país apenas restem 8.600 dentro de três a quatro meses, e que a retirada total aconteça em 14 meses.

Essa retirada fica, no entanto, pendente do respeito dos talibãs pelo acordo e do seu compromisso em combater o terrorismo.