O Movimento Marcha Lenta do IC2 sublinhou esta sexta-feira a “grade adesão” ao protesto que gerou uma fila de 16 quilómetros de carros entre a Benedita e Aveiras de Cima, exigindo a reparação da via que atravessa três distritos.

O protesto que arrancou da Benedita, pouco depois das 10h, “gerou 16 quilómetros de fila em que a grande maioria eram carros a participar na marcha lenta, o que demonstra o quanto as pessoas estão desagradadas com o estado do IC [Itinerário Complementar] 2”, afirmou o porta-voz do movimento, José Belo, no final da marcha entre aquela vila e Aveiras de Cima.

Durante o percurso foi depositada uma coroa de flores no viaduto das Bocas, ao quilómetro 74, em Rio Maior, considerado um dos pontos negros da estrada por ali se terem registado vários acidentes mortais.

“São 20 quilómetros de uma autêntica armadilha”, disse o porta-voz do movimento, José Belo, salientando a perigosidade de circular neste troço do Itinerário Complementar (IC) 2, patente na média de oito mortes por ano, nos acidentes que se registam todas as semanas e nas ocorrências diárias de danos provocados em viaturas pelo mau estado da estrada.

“Há uma revolta enorme. Esta estrada é uma ameaça”, declarou, assegurando que as pessoas que usam diariamente esta via se sentem “revoltadas” e “fartas de promessas”.

A Infraestruturas de Portugal (IP) deliberou em outubro de 2015 proceder ao lançamento do procedimento pré-contratual necessário à contratação da empreitada denominada “IC2/EN1 – Beneficiação entre Asseiceira (KM 65+200) e Freires (KM 85+500)”, pelo valor de 7,5 milhões de euros, que, na altura, faseou pelos anos de 2016 (1,15 milhões de euros) e 2017 (6,35 milhões de euros).

O lançamento do concurso voltou a estar previsto até ao final de 2018, com previsão do início da empreitada no segundo semestre de 2019, “condicionado, todavia, à obtenção da autorização de encargos plurianuais, solicitada em agosto”, como admitiu a empresa na resposta a uma questão do município de Rio Maior.

Em julho último, nas vésperas do protesto, a IP afirmou estar previsto o lançamento do concurso público da empreitada de beneficiação do troço do IC2 entre Asseiceira (Rio Maior) e Freires (Benedita) ainda durante o ano de 2019.

No passado dia 19 de fevereiro, a IP anunciou para este mês o lançamento do concurso público para a empreitada de requalificação do IC2/EN1 entre o nó da Asseiceira (Rio Maior) e a zona urbana de Freires (Alcobaça), no valor de 7,5 milhões de euros e um prazo de execução de 450 dias.

Em comunicado, a Infraestruturas de Portugal afirmou que a intervenção vai abranger um troço com uma extensão total de 20,3 quilómetros, entre o quilómetro 65,2, e o quilómetro 85,5, que atravessa os concelhos de Rio Maior e Alcobaça, nos distritos de Santarém e Leiria, respetivamente.

A empresa tem afirmado que, enquanto a empreitada não avança, tem vindo “a promover a realização de trabalhos pontuais de conservação do pavimento no âmbito do Contrato de Conservação Corrente, de forma a mitigar os problemas de sinistralidade que ali se têm registado”.