A Volkswagen é dos construtores tradicionais aquele que mais seriamente apostou na mobilidade eléctrica. É certo que teve bons motivos para o fazer, mas isso não lhe retira mérito nem dimensão à gama de eléctricos que já propõe aos seus clientes, bem como aquela que vai oferecer em breve. Para já é o e-Golf e o e-up!, a que se junta o furgão Crafter, mas ainda este ano o fabricante alemão vai iniciar a comercialização do ID.3, a que se seguirá o ID.4.

O curioso é que esta incursão pelos veículos eléctricos a bateria não começou com o e-Golf e o e-up!. Em 1970, a VW criou uma divisão destinada ao desenvolvimento de veículos eléctricos, para dois anos depois apresentar um protótipo (Pão de Forma pick-up) e, pouco depois, iniciar a produção do Pão de Forma em versões de passageiros e comerciais. A frota de veículos foi vendida aos serviços públicos de transporte de Berlim.

Este foi o protótipo do Pão de Forma eléctrico de 1972. De seguida, foi a produção em série de versões de passageiros e furgões

O Pão de Forma montava baterias com 21,1 kWh de capacidade, mas um peso de 880 kg, o que lhe permitia circular durante 85 km, desde que fosse calmamente. E nem poderia ser de outra forma, uma vez que o motor fornecia somente 22 cv (em contínuo, podendo atingir 44 cv em pico), longe de ser um valor que pudesse impressionar pelas acelerações, dado ter de puxar por um veículo com 2170 kg. Ainda assim, conseguia assegurar uma velocidade máxima de 75 km/h.

O pormenor mais curioso do Pão de Forma eléctrico é o facto de a VW não ter previsto uma forma de recarregar as baterias, mas sim substituí-las. À falta de um sistema de recarga com alguma eficiência, os técnicos alemães engendraram uma solução para trocar os 880 kg de acumuladores. E se a operação exigia bastante força muscular, a realidade é que tardava apenas 5 minutos. Isto não considerando as dores nas costas que o “carregamento” certamente provocaria. A VW vai expor este Pão de Forma na feira Techno Classica 2020, que decorre em Essen entre 25 e 29 de Março.