O valor do Fundo Petrolífero (FP) de Timor-Leste caiu 343 milhões de dólares (306,7 milhões de euros) no mês de fevereiro, num período em que não houve qualquer levantamento do Tesouro, segundo o Banco Central.

Dados do “balanço pró-forma” mensal, divulgados esta  pelo Banco Central, mostram que a 29 de fevereiro o FP tinha um saldo de 17.504 milhões de dólares (15,66 mil milhões de euros). Valor que contrasta com o saldo de 17.847 milhões de dólares (15,97 mil milhões de euros) do final de janeiro.

Em 2019, o valor do fundo cresceu mais de 11,94% – passando de 15,80 mil milhões de dólares (14,26 mil milhões de euros) em 1 de janeiro para 17,69 mil milhões de dólares (15,96 mil milhões de euros) a 31 de dezembro.

O acumulado desde o início do ano do FP regista perdas de 186 milhões de dólares (166,52 milhões de euros).

Os valores não têm em conta as quedas significativas que ocorreram em março nos principais mercados mundiais e cujo impacto só deverá ser conhecido no próximo balanço mensal a conhecer em meados de abril.

Esta sexta-feira, a organização timorense La’o Hamutuk antecipou que essas perdas poderão ser bastante mais significativas, acumulando uma descida de valor este ano de até 1,5 mil milhões de dólares (1,32 mil milhões de euros) devido às quedas nas bolsas internacionais.

“Se os preços e taxas de juro não se agravarem ou melhorarem no resto do ano, até ao final de 2020 os investimentos do Fundo Petrolífero [FP] de Timor-Leste terão uma perda líquida de cerca de 1,5 mil milhões de dólares [1,32 mil milhões de euros]”, referiu num artigo a organização não-governamental que analisa e monitoriza o desenvolvimento no país.

A queda em receitas de petróleo e gás “serão menos 300 milhões de dólares [268 milhões de euros] abaixo da previsão mais conservadora do governo. E as perdas podem continuar nos anos futuros”, indicou.

Recorde-se que o Fundo Petrolífero timorense registou em 2019 o seu maior retorno no investimento de sempre, no total de 2,1 mil milhões de dólares (cerca de 1,9 mil milhões de euros), crescendo 11,94%.

A La’ Hamutuk analisou, em particular, o comportamento dos mercados internacionais entre 12 de fevereiro e 12 de março, com uma queda acumulada de 26% nos últimos 30 dias nas bolsas dos Estados Unidos e de outros países.