O preço dos combustíveis rodoviários em Portugal vai baixar significativamente a partir da próxima segunda-feira. Com base numa baixa registada esta semana de 20% a 30% nas cotações dos produtos refinados, e mantendo-se os outros fatores constantes, a gasolina poderá baixar 12 cêntimos por litro. No gasóleo rodoviário, a queda do preço poderá ficar-se pelos nove cêntimos por litro.

Estas baixas de preços, que tem sido sinalizadas por várias fontes do mercado, serão as maiores de sempre ou pelo menos em 3o anos. O Observador contactou o secretário-geral da APETRO (Associação Portuguesa das Empresas Petrolíferas) e António Comprido adianta que não tem memória de quedas nos preços tão expressivas de uma só vez.

Em outras crise, como a recessão mundial de 2009, o preço dos combustíveis também caiu, mas foi um movimento mais gradual. Há pelo menos muitos que anos que não acontecia uma descida tão grande e sustentada no tempo das cotações do petróleo como a vivida esta semana.

A baixa dos preços dos combustíveis reflete a queda, também ela histórica das cotações do petróleo, registada esta semana, uma consequência do impacto do coronavírus na paragem da economia mundial. A situação foi agravada pelo anúncio da Arábia Saudita de que iria aumentar a produção, quando o que será necessário é um corte, devido a divergências com a Rússia sobre como devem os produtores responder a esta queda brusca da procura. O golpe de misericórdia no mercado petrolífero veio dos Estados Unidos quando Donald Trump anunciou a proibição de voar para o país de cidadãos europeus com origem no espaço Schengen.

O colapso da oferta das companhias aéreas já era o principal fator de pressão sobre os preços do petróleo, mas a diminuição da procura de jetfuel é apenas a ponta do iceberg. À medida que mais países impões restrições à circulação de pessoas e mais setores são afetados, o consumo de combustíveis rodoviários vai também ressentir-se.