Uma curta-metragem, “Ruínas do Rio”, da realizadora moçambicana Yara Costa vai retratar convivências além do ciclone Idai e histórias de superação de pessoas que viram aldeias inteiras engolidas por cheias no centro de Moçambique.

“Dombe é um lugar de histórias, toda a gente sabe contar histórias e muito bem”, disse à Lusa Yara Costa, que se inspirou depois de “sentir” o lugar e ficar “encantada” com as convivências, que se tornaram num “prémio” para a realizadora.

Dombe, na província de Manica, foi uma das zonas afetadas pelo ciclone em março de 2019 e a rodagem da curta-metragem decorre um ano depois.

“Inevitavelmente, o Idai marca muito esta história. O Idai vai fazer parte da vida das pessoas, é incontornável”, enfatiza a cineasta que quer contar a vida de pessoas numa aldeia remota de Moçambique que entrou para o mapa do mundo após uma destruição severa.

As filmagens arrancaram em fevereiro e a estreia está prevista para a cidade de Chimoio, a capital de Manica, sendo o filme depois exibido em telas gigantes nas aldeias onde decorreram as filmagens, em Dombe.

“Tentar entender a pessoa passa por ouvi-la, mas estar também com ela em silêncio, também ouvir este silêncio, ouvir as coisas que não são ditas”, explica a realizadora, que palmilhou aldeias que tentam reerguer-se.

A realizadora quer fazer a curta-metragem “voltada para as pessoas” que participaram dela, para que “possam olhar para si a partir de uma outra perspetiva”, numa aldeia onde não se vê televisão.

“Nós somos contadores de histórias natos, não precisamos ir a Hollywood toda a hora buscar histórias. Sim, eles têm as histórias deles, mas aqui temos histórias incríveis, mais incríveis do que a de qualquer filme de fição” disse, insistindo que quer ser o veículo das histórias locais para o mundo e também incentivar o cinema comunitário.

A realizadora conta na sua lista de produções com uma longa-metragem e duas curtas, incluindo “Porquê Aqui”, que espelha a imigração chinesa para África e “Travessia” que conta a história de um rapaz do Haiti, que atravessa clandestinamente a fronteira para estudar num país vizinho, após um terramoto no seu país.

O seu documentário mais recente, de 2019, “Entre eu e Deus”, retrata a radicalização, no islão, de uma jovem engenheira, na Ilha de Moçambique, enquanto surge uma insurgência armada no norte do país.

A produção da curta-metragem conta com o apoio da Helpo, uma organização humanitária portuguesa que tem uma intervenção na área nutricional em Dombe desde que o ciclone Idai se abateu sobre a aldeia.

Artigo atualizado às 15 horas com algumas correções