As autoridades timorenses registaram já mais de 10 mil pessoas afetadas pelas cheias da passada sexta-feira, um número que vai aumentar porque a avaliação dos danos ainda está em curso, segundo a Proteção Civil.

Os dados mais recentes recolhidos esta segunda-feira pela proteção civil e a que a Lusa teve acesso, contabilizam já um total de 1.664 famílias em 13 sucos, equivalente a freguesias, num total de 10.069 pessoas.

Entre os afetados, há mais de 210 crianças com menos de cinco anos, 76 idosos, 22 grávidas e 44 mulheres que têm bebés em idade de amamentação.

Entre as zonas mais afetadas estão os bairros de Bidau Santa-Ana, com 2.621 pessoas, Santa Cruz, com quase 2.100, Becora, com 1.750 e Bidau, com 1.260.

O relatório refere que a secretaria de Estado da Proteção civil deu já apoio a um total de 128 famílias, estando em curso outras ações de apoio de emergência.

As cheias que causaram um morto, uma jovem de 16 anos, afetadas centenas de negócios de toda a dimensão, com perdas ainda não quantificadas.

A ajuda de empresas e cidadãos, nacionais e estrangeiros, continua a chegar à Proteção Civil para ser distribuída por centenas de pessoas que estão atualmente nos três centros de acolhimento temporário estabelecidos em dois locais da Proteção Civil e na igreja de Bidau.

Cerca de 300 pessoas, inicialmente acolhidas em centros temporários, foram agora para perto das suas casas, ou do que resta delas, para poder receber o apoio.

Nas zonas mais afetadas continuam a decorrer tarefas de limpeza, com equipamento pesado mobilizado pelo Ministério das Obras Públicas timorense, a ser utilizado para limpar estradas e, em particular, as ribeiras afetadas, que ficaram mais assoreadas.

As cheias foram um dos assuntos da reunião de hoje do Conselho de Ministros que aprovou tolerância de ponto aos funcionários públicos em Díli, nos próximos dois dias, para que possam ajudar na limpeza.

Essa tolerância abrange apenas a região de Díli e exclui os serviços essenciais, nomeadamente a segurança, a saúde e a proteção civil, entre outros.

Os ministérios indicarão expressamente quais os serviços considerados essenciais. Os funcionários deverão manter-se permanentemente contactáveis, caso sejam necessários ao serviço”, indicou o executivo, em comunicado.

A reunião analisou os danos materiais causados pelas cheias, “com milhares de pessoas afetadas, centenas de desalojados, feridos e um morto”.

“Foram analisadas as medidas necessárias para a recuperação dos estragos provocados pelas cheias e os apoios à população afetada. O Conselho de Ministros analisou também um conjunto de medidas a curto e longo-prazo para no futuro minimizar os efeitos das chuvas torrenciais”, adiantou.

O assunto tem marcado igualmente o debate desta segunda-feira no parlamento que está centrado também na questão da pandemia da Covid-19.