O governo são-tomense condenou esta terça-feira “veementemente” o “ato criminoso” praticado na segunda-feira pelo deputado do partido no poder Deolindo da Mata, que baleou mortalmente um cidadão, a poucos metros das instalações da Polícia Judiciária (PJ), na capital.

“O governo condena veementemente este ato criminoso, pois nada justifica tamanha violência, atentatória da vida humana, o bem mais sagrado e inviolável”, indica o executivo em comunicado lido pelo porta-voz, Adelino Lucas.

A vítima, Carlitos Nólia, 43 anos de idade, que fazia câmbios de moedas estrangeiras nas ruas da capital São Tomé, foi baleado perante vários testemunhos que se revoltaram, obrigando o deputado a refugiar-se na PJ, onde foi reforçada a segurança com apoio de agentes da Polícia Nacional.

Deputado são-tomense atinge mortalmente a tiro um cidadão em frente à sede da PJ

Importa recordar que num Estado de Direito democrático, a lei está acima de todos, mormente dirigentes, governantes e deputados”, refere o comunicado governamental. “Neste momento em que se assinala o mês da modernização da Justiça, a nação são-tomense aguarda com expetativa que a Justiça seja feita de forma exemplar, eficaz e célere”, acrescentou Adelino Lucas.

Os restos mortais de Carlitos Nólia foram a enterrar esta tarde, acompanhado de mais de duas centenas de familiares, amigos e responsáveis políticos do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), do qual os dois eram militantes.

O governo, liderado por Jorge Bom Jesus, lamentou o sucedido e endereçou as suas condolências à família enlutada. O parlamento, por seu lado, lamentou e condenou “profundamente” o sucedido e disponibilizou-se a “colaborar com as demais instituições do Estado” e a tomar “todas as medidas necessárias tendentes a evitar situações como esta, que nada dignificam a casa parlamentar”.

A Assembleia Nacional apela a todos os deputados, bem como a todas as autoridades militares e paramilitares, detentores de arma de fogo, para que não façam o uso abusivo desse instrumento”, segundo um comunicado, em que os deputados sublinham que têm vindo a acompanhar “com grande apreensão ondas de criminalidade e agressividade a nível nacional”.

Na mesma nota, o parlamento defende que devem ser encontradas “medidas urgentes para pôr termo a todos estes atos violentos que em nada abonam o bom nome de São Tomé e Príncipe”.

O MLSTP-PSD, também em comunicado, afirmou ter ficado “surpreendido” com a notícia do “homicídio praticado pelo cidadão militante e deputado do partido”. O partido, que afirma que sempre se pautou “pelo estrito respeito da legalidade e convicto de que ninguém está acima da lei”, condena e distancia-se “inequivocamente deste ato criminoso, pois nada justifica atentar contra a vida humana, o bem mais sagrado e inviolável”, lê-se numa nota a que a Lusa teve acesso.

O grupo parlamentar dos sociais-democratas também condenou o incidente, demarcando-se “de todas as ações e comportamentos desviantes que põem em causa a paz, a tranquilidade e a segurança dos cidadãos”.

O deputado Deolindo da Mata encontra-se detido desde segunda-feira na Polícia Judiciária e fonte policial disse à Lusa que poderá ser presente ao juiz de instrução criminal “nas próximas 48 horas”, para que lhe seja fixada uma medida de coação.