Eu sei que o mercado já está saturado de super-heróis, mas há um novo, e simplesmente irresistível: a Super-Ovelha, apostada em proteger os mais fracos e em manter a ordem na quinta, onde existe um trio de porcos que gosta de fazer judiarias aos restantes animais. A identidade secreta da Super-Ovelha é a Ovelha Choné, e não estou a revelar nenhum segredo, porque basta ir ver o respetivo episódio da nova temporada das suas tropelias, agora disponíveis na Netflix: “A Ovelha Choné: Aventuras na Quinta”. A inspiração da Super-Ovelha no Super-Homem é tão óbvia, que até tira e põe o uniforme no que há de mais parecido com uma cabine telefónica na quinta de Mossy Bottom: uma arrecadação de ferramentas.

[Veja o “trailer” da nova temporada:]

A exemplo do que acontece na nova longa-metragem, “A Ovelha Choné — O Filme: A Quinta Contra-Ataca” (também já disponível na Netflix), muitos dos 20 episódios desta nova temporada de “A Ovelha Choné” incluem paródias a filmes e séries tão variados como “2001 — Odisseia no Espaço” (o pobre cão Bitzer volta ao cosmos, atrelado a um “drone” descontrolado), “CSI” (Choné aplica os mais modernos processos de investigação criminal para encontrar o culpado pelo desaparecimento do apito de Bitzer) ou “Missão: Impossível” (o fazendeiro fica com o ursinho de Timmy quando descobre que é um brinquedo “vintage”, fecha-o num cofre ultra-“high tech” e Choné tem que fazer de versão lanzuda de Tom Cruise).

[Veja um excerto de um episódio:]

Há ainda, é claro, o episódio da Super-Ovelha, no qual os inspirados, exímios e pacientíssimos animadores dos Estúdios Aardman se esmeram visualmente, conferindo-lhe o aspeto de um “comic book” em movimento. E no final, além da Super-Ovelha, propõem-nos uma espécie de Liga da Justiça alternativa da quinta de Mossy Bottom que só vista, descrita não se acredita. É um gozo pegado a todo o espalhafatoso e milionário universo da Marvel e da DC, feito com um punhado de bonecos de plasticina animados fotograma a fotograma (Não esquecer também o delirante episódio que mistura “donuts”, ciclismo e realidade virtual, e inclui uma perseguição digna de uma fita muda dos Keystone Cops).

[Ouça o tema musical da série:]

Como sempre, o humor é todo ele físico e visual, tal como no grande cinema cómico clássico, com uma grande e jubilatória componente “slapstick” e uma fortíssima veia absurda, bem como um “timing” digno de Charlot, Keaton ou Harold Lloyd, auxiliados pela banda sonora feita de sons ambientes, ruídos pândegos e música. E cada episódio tem sempre pequenos detalhes saborosos que ajudam a compor o todo (ver os patos juízes do concurso de dança, a minhoca na maçã do fazendeiro, o caracol vestido de Múmia no episódio que culmina no Dia das Bruxas, etc, etc.). Mais uma vez, e como é costume, desde a temporada de estreia da série e do primeiro filme de longa-metragem, quem vai ver a Ovelha Choné nunca, mas nunca sai tosquiado.

“A Ovelha Choné: Aventuras na Quinta” está disponível na Netflix