A Panasonic tem o exclusivo da produção de células na Gigafactory, a fábrica que a Tesla possui no Nevada. Dali saem grande parte das células cilíndricas 18650 (18 mm de diâmetro e 65 mm de altura) utilizadas nos Model S e Model X, bem como as 21700 (21 mm x 70 mm) dos Model 3 e Model Y. Grande parte, pois a Panasonic sentiu sempre grandes dificuldades em atingir o volume de produção teórico da linha, o que a levou a importar do Japão as células cilíndricas que não conseguia assegurar no Nevada.

Como a linha de produção das células na Gigafactory é muito automatizada, seria possível continuar a laborar, apesar da crise provocada pelo coronavírus. Mas, com as fábricas de veículos paradas, não há necessidade de acumuladores cilíndricos 18650 ou 21700. Isto levou a que a Panasonic decidisse suspender a produção, para já por um período de 14 dias.

O acordo entre a Tesla e a Panasonic tem funcionado para ambos. O construtor americano transformou-se no maior fabricante de veículos eléctricos, enquanto a companhia nipónica ascendeu a líder na produção de células para baterias de iões de lítio destinadas à indústria automóvel. As células foram desenvolvidas por ambas as empresas (que partilham a propriedade) e são tidas no mercado como as melhores em termos de densidade energética, custos e número de ciclos.

Tudo indica que a parceria vá terminar em breve, porque a Tesla vai começar a fabricar as suas próprias células, que promete serem ainda melhores do que as actuais, mas de que só conheceremos pormenores depois de Abril. A Panasonic, pelo seu lado, já assinou uma parceria similar à da Tesla, mas agora com a Toyota, para acompanhar a aventura eléctrica de um dos maiores construtores do mundo, que vai entrar muito tarde nos automóveis eléctricos a bateria.