O governo são-tomense indeferiu esta quarta-feira uma resolução do governo Regional do Príncipe que pretendia suspender as ligações marítimas e aéreas entre as duas ilhas como medida preventiva contra o novo coronavírus.

O Conselho de Ministro decidiu indeferir esta proposta do governo Regional e aproveita para informar que fica estabelecido o reforço das medidas de controlo sanitário nos aeroportos e portos de São Tomé e do Príncipe”, segundo um comunicado do executivo são-tomense, lido esta quarta-feira pelo seu porta-voz, Adelino Lucas, após uma reunião do Conselho de Ministros.

Em declarações à televisão pública de São Tomé e Príncipe, o presidente do governo regional, José Cassandra, tinha declarado no final da semana passada que o seu executivo iria cortar as ligações aéreas e marítimas com a capital, como medida preventiva contra a Covid-19 na ilha do Príncipe.

José Cassandra fez estas declarações no final de uma reunião com representantes da Assembleia Regional, confissões religiosas, formações políticas e sociedade civil da região. Para o governo central, essa medida tem “consequências gravosas” para uma população que “sofre já os efeitos nefastos da dupla insularidade”.

O comunicado do Conselho de Ministros justifica ainda o indeferimento da decisão do executivo de José Cassandra com o facto de o governo ter decretado a “suspensão de todos os voos comerciais e privados provenientes do exterior desde 21 deste mês e do desembarque de tripulantes e passageiros de navios de mercadoria e cruzeiro nos portos de São Tomé e Príncipe”.

O governo, liderado por Jorge Bom Jesus, adianta ainda que “até a data não há nenhum registo de nenhum caso suspeito de infeção por coronavírus em todo o território nacional”, pelo que considera que a proposta do governo regional não faz sentido. No mesmo comunicado, o executivo anuncia que autorizou a companhia aérea portuguesa, TAP, a realizar um voo “de cariz humanitário” esta quinta-feira “que deverá vir buscar os cidadãos europeus, sobretudo portugueses que ficaram retidos em São Tomé após a decisão do governo em fechar o espaço aéreo são-tomense”.

O governo proibiu também “por tempo indeterminado” a importação e entrada no país de balões de fardo (roupas usadas) para venda no mercado informal são-tomense.

O Conselho de Ministros adiantou ainda que, no âmbito do impacto negativo da medidas adotadas para evitar a pandemia do novo coronavírus, está garantido o ‘stock’ de combustíveis para os próximos meses, “mas que, ainda assim, expedientes adicionais estão em curso para a concretização do novo carregamento destes produtos que chegarão ao país em abril”.

O governo de Bom Jesus garantiu que o mercado está abastecido de géneros alimentícios e “novos carregamentos de víveres estão previstos chegar ao país nos próximos dias”, devendo ser aprovadas, durante um encontro do Conselho de Concertação Social, esta quinta-feira, “algumas medidas de cariz social para minimizar o impacto da crise”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 19 mil.

O continente africano registou 64 mortes devido ao novo coronavírus, ultrapassando os 2.300 casos.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.