A empresa portuguesa OutSystems, que lidera o mercado de plataformas low-code para o desenvolvimento rápido de aplicações, criou na semana passada uma comunidade para fazer 20 apps que “que ajudem no combate ao coronavírus e aos seus efeitos no mundo digital”. Esta terça-feira, foram divulgadas os primeiros cinco projetos que passam agora à fase de produção.

Entre os projetos iniciais apresentados estavam também ideias como um jogo de lavagem de mãos. Ao lançar o projeto, Paulo Rosado, presidente executivo e fundador da OutSystems, afirmou: “Fomos inspirados por pedidos e sugestões da nossa comunidade global de programadores e pelos nossos colaboradores para ajudarmos na luta contra o coronavírus. Em todo mundo, as pessoas estão a pensar em formas de como os sistemas digitais podem ajudar a facilitar as adversidades causadas pela COVID-19″.

Os projetos escolhidos com o objetivo de se tornarem uma app, são:

  • “Todos por Um”: Uma app que quer ajudar “a ligar médicos e enfermeiros que tenham tempo e vontade de ajudar famílias que queiram ser adequadamente monitorizadas, perceber quais as diretrizes corretas enquanto estão em isolamento social, e permitir um canal direto de comunicação entre ambos através de um chat”. Além disso, este chat utilizará inteligência artificial e tecnologia robô (que imita comportamentos humanos) para tirar dúvidas sobre o vírus. “Espera-se ainda que, através do autodiagnóstico e das instruções dadas, as pessoas se mantenham em casa e não se dirijam imediatamente ao hospital mais próximo, correndo o risco de se infectar a si ou outros”, diz a empresa em comunicado.
  • Vent2Life”: Uma ideia para ajudar os hospitais “a ter uma forma mais eficiente de lidar com os equipamentos” que deixem de funcionar. “Os hospitais vão começar a ter problemas com os ventiladores durante o período de maior uso que se aproxima e, depois de turnos de mais de 48 horas, não será fácil para a equipa médica solucionar corretamente determinados problemas técnicos”, diz a equipa que criou este projeto. Por causa disso, é importante haver um mecanismo rápido para os profissionais destes locais poderem avisar se há problemas através de uma app.
  • “Monitorização e rastreamento de cadeias de transmissão”: Esta app, que está a ser criada pela empresa holandesa RISA IT, parceira da OutSystems, tem como objetivo monitorizar pessoas que estejam potencialmente infetadas com o vírus, priorizá-los, identificar contactos que tenham tido até ao momento em que começaram a ter sintomas, contactar essas pessoas e identificar possíveis cadeias de transmissão, explica a empresa. Atualmente, esta app já está a ser testada na Holanda.
  • “Ajuda em cadeia”: Na prática, esta app vai ter como objetivo juntar pessoas que precisam de ajuda e quem está disposto a dá-la. Através de um “portal”, os “utilizadores recebem notificações quando há uma
    ligação possível entre o pedido e a oferta, podendo as pessoas contactarem-se proativamente”.
  • “Ligar projetos e recursos de segurança durante um estado de emergência”: Esta aplicação terá como objetivo preparar países que, num Estado de Emergência, tenham de decretar o recolher obrigatório da população ligando equipas de segurança (e empresas) a áreas que precisem de segurança. “Atualmente, a
    gestão da segurança não está suficientemente organizada para lidar com esta nova realidade
    centralmente”, dizem os responsáveis do projeto da OutSystems.

Nas primeiras 24 horas do lançamento do programa, os membros desta equipa da OutSystems submeteram mais de 100 ideias para aplicações digitais”. Para poder submeter projetos é preciso fazer parte da comunidade criada pela empresa e, depois, ter os votos suficientes para que este seja produzido e se torne numa app.

Esta campanha permite o acesso gratuito ao software da OutSystems, utilizado já em empresas em todo o mundo. Até ao momento já houve mais de 170 ideias submetidas.

A OutSystems foi fundada em Portugal em 2001 por Paulo Rosado e conta na sua carteira de clientes com grandes empresas como Logitech, Deloitte ou Ricoh. A sede é em Atlanta, na Georgia, nos Estados Unidos da América. Em 2018, a OutSystems tornou-se no segundo unicórnio com ADN português.