O governo francês anunciou esta quinta-feira que vai criar uma plataforma “online” para fazer a ponte institucional entre as mais de 40 mil pessoas que se inscreveram numa iniciativa sindical e que visa juntar pessoas em desemprego parcial e agricultores.

O anúncio da criação da plataforma foi feito pelo ministro da Agricultura, Didier Guillaume, em entrevista esta quinta-feira de manhã à rádio FranceInfo. Trata-se de dar enquadramento institucional para dar resposta às mais de 40 mil pessoas que se inscreveram na iniciativa do principal sindicato agrícola francês para trabalhar durante a quarentena, e a iniciativa junta os ministérios da Agricultura, Economia e do Trabalho.

O apelo do ministro da Agricultura, Didier Guillaume, na terça-feira aos franceses em desemprego parcial para ajudarem os agricultores em dificuldade por falta de mão-de-obra, acabou por criar uma onda inusitada de interesse por parte da população confinada.

Apesar de muito criticado devido à aparente contradição entre seguir um período de quarentena e ir ajudar nas diferentes culturas para o campo, Didier Guillaume defendeu esta quinta-feira que o seu apelo visou proteger o setor alimentar.

Não é nada contraditório. Estamos numa situação em que, por um lado, devemos ficar em casa, assumir o confinamento, mas se todos os franceses ficarem em casa deixamos de ter setores estratégicos, como o setor alimentar”, afirmou em declarações à rádio FranceInfo, em que anunciou a inscrição de 40 mil pessoas nesta iniciativa.

Guillaume explicou que não se pede que as pessoas em desemprego parcial devido à Covid-19 que “atravessem a França”, mas que caso tenham num raio de três a cinco quilómetros um agricultor em dificuldades, que, por exemplo, “vão apanhar caixas de morangos”. O governante garantiu que através da plataforma interministerial lançada esta noite, pessoas vindas de setores como a restauração ou hotelaria, poderão acumular o subsídio do desemprego parcial com o trabalho sazonal na agricultura.

Precisamos da mão-de-obra sazonal, senão os espargos e os morangos vão apodrecer nos campos. […] Criámos dispositivos eficazes e que incentivem as pessoas. Não se trata de voluntariado, é preciso um contrato de trabalho e podem acumular diversas prestações sociais”, precisou Didier Guillaume.

A presidente do principal sindicato agrícola francês, FNSEA, Christiane Lambert, apresentou no início da semana uma plataforma “online” batizada “Braços para o teu prato” para pôr em contacto os potenciais candidatos com os agricultores e esta nova plataforma governamental vem fazer a ponte institucional, envolvendo também o Pole Emploi, equivalente francês do Instituto do Emprego e Formação Profissional.

O ministro francês lembrou ainda que numa altura de quarentena reforçada, é importante manter uma alimentação equilibrada, mas que isso só é possível com acesso a produtos frescos, vindos de produtores espalhados um pouco por todo o país.

Em França estão confirmados 25.233 casos de Covid-19 e já se registaram 1.331 mortes.