Esta quarta-feira, San Marino, uma micronação cercada pela região centro-norte da Itália, registava 21 mortes e quase 200 contagiados, estatísticas que fazem daquele o país, estatisticamente, mais afetado pela pandemia. Segundo a publicação espanhola El Confidencial, este é o país com mais infetados e mais mortes por cada milhão de habitantes no mundo e também aquele que apresenta a pior taxa de mortalidade derivada do surto de Covid-19, 11%. Ou seja, acima dos 9,3% de Itália, dos 7,9% do Irão e dos 6,2% de Espanha. Ainda que todos estes países tenham sofrido, em termos absolutos, milhares de mortes.

A micronação — de apenas 61 quilómetros quadrados — regista uma taxa de 5,5 casos por cada 1000 habitantes dado que conta apenas com cerca de 34 mil habitantes, o que ajuda a explicar os números. Não é caso único, também Luxemburgo e Andorra surgem também na lista dos países com maior número de mortos e infetados, tendo também em conta a respetiva população.

A situação é “trágica”, disse ao jornal já citado Gabriele Rinaldi, diretor da autoridade de sanitária do país. “Estamos perante uma das piores crises da história de San Marino”, lamentou. O primeiro caso de contágio do país foi conhecido a 27 de fevereiro, tratando-se de um homem de 88 anos proveniente de um país vizinho. A situação tornou-se preocupante quando o norte de Itália se tornou no epicentro do novo coronavírus — San Marino está entre as províncias Emília Romana e Las Marcas. É também Rinaldi que tenta subestimar a taxa de mortalidade de San Marino associada à Covid-19 (11%), argumentando que é difícil extrapolar os dados quando a amostra é tão pequena.

A 8 de março, parte de Itália entrou em quarentena, mas as autoridades de San Marino optaram por medidas menos drásticas: fecharam as escolas mas recusaram suspender a atividade comercial. Numa fase em os hospitais começam a ceder, o mesmo jornal esclarece que San Marino não tem capacidade própria para testar a população, sendo que as amostras são enviadas para um laboratório em Itália. Até momento, as autoridades de saúde locais fizeram 401 testes, uma estratégia que consiste em testar as pessoas que tenham sintomas mais desenvolvidos.

Apesar de ser tecnicamente mais fácil encerrar as fronteiras, o facto de receber um fluxo constante de trabalhadores, que diariamente entram e saem do país, faz com que seja mais difícil tomar medidas drásticas. A isso acrescenta-se ainda a dificuldade em adquirir produtos sanitários num mercado mundial altamente competitivo.