Com a entrada na nova fase de mitigação, todas as unidades do SNS e do setor privado e social poderão fazer análise à Covid-19, podendo ser ainda realizados testes ao domicílio. É uma mudança significativa e que exigiu a todas as unidades a adaptação à nova realidade que deriva da transmissão comunitária da Covid-19, assumida pelas autoridades de saúde. “Se a infeção está a espalhar-se na comunidade então não faz sentido termos apenas uma, duas, cinco ou 10 estruturas que deem resposta a isso, mas termos toda a estrutura e com áreas dedicadas ao Covid-19 e áreas não dedicadas ao Covid-19”, explicou em entrevista ao Direto ao Assunto, da Rádio Observador o pneumologista António Diniz.

“Ninguém pode dizer que não falta nada ao SNS”, diz António Diniz

Mas essa ativação de todas as estruturas exige que todos os profissionais — e não só aqueles que estão em unidades dedicadas — tenham acesso aos equipamentos de proteção individual necessários para lidar com doentes Covid-19. E é sobre os relatos de falta de equipamento que o médico assume que Governo “possa não estar suficientemente informado”.

Alguém não estará suficientemente bem informado. Há relatos de colegas meus que dizem que têm falta de equipamento. O senhor bastonário [da Ordem dos Médicos] já o afirmou. Portanto, é preciso ultrapassar rapidamente esta situação”, afirmou o médico que também colabora com a Direção-geral da Saúde.

O médico assume ainda que as principais falhas possam estar “nomeadamente em zonas mais periféricas” e nos “cuidados de saúde primários” que “também estão nesta altura envolvidos na linha da frente do combate a esta pandemia”.

“Aceito que pontualmente possa haver algum problema, o que eu tenho de pensar é que se existem tem rapidamente de ser ultrapassado e tem de chegar esse mesmo material”, afirmou o pneumologista que considera não ser “aceitável” que alguém possa fazer o teste a casos suspeitos sem o material de proteção necessário.

“As pessoas não se admirem se a partir de hoje houver uma subida no número de casos positivos”

Com a alteração nas regras para testagem de casos supeitos, o médico reconhece também que poderá existir um aumento no número de casos confirmados. “Só encontramos aquilo que procuramos. As pessoas não se admirem se a partir de hoje houver uma subida no número de casos positivos porque mudaram, pelo menos de forma oficial, as indicações para uma pessoa fazer essa testagem”, afirmou acrescentando que considera que os testes já deviam estar a ser feitos em maior número antes.

“Vamos ter que arranjar testes, seja de que forma for, para dar resposta a isto que do ponto de vista técnico é aquilo que se indica para esta fase. Sejam os testes comprados normalmente, sejam comprados a outros países, fabricados em Portugal, sejam normais, sejam rápidos. Tudo isso vai ter que funcionar para poder dar resposta ao estado em que uma pessoa se encontra relativamente à pandemia”, notou o especialista.

Ainda sobre o funcionamento da linha de saúde 24, que continuará a ser a primeira linha que um doente que suspeite de estar infetado deve contactar, o médico reconhece que “poderá estar melhor, mas ainda apresenta lacunas” e que as pessoas devem recorrer a “possíveis vias alternativas”, entre elas o contacto direto com as unidades de saúde da sua localidade.

“Tem que haver um mecanismo alternativo e existe, as pessoas poderão estar mais tranquilas em relação a isso porque estes relatos que temos ouvido em relação a falhas na linha de saúde 24 nesta altura terão uma alternativa”, disse.