O presidente do Sindicato de Médicos de Angola disse esta quinta-feira em Luanda que o sentimento entre a classe “é de frustração”, sobretudo pelas debilidades das medidas de biossegurança em relação à Covid-19.

Em declarações à agência Lusa, Adriano Manuel disse que de forma geral a classe médica angolana está preparada para a situação da Covid-19, com o registo já de três casos positivos no país, “mas o grande problema são as medidas de biossegurança de que o país não dispõe”.

Temos alguma dificuldade, com relação à questão dos equipamentos de proteção individual, a biossegurança de uma forma geral. O país tem carência de quase tudo, tem carência de luvas, de máscaras, de óculos”, disse o sindicalista.

Adriano Manuel frisou que a carência dos equipamentos de biossegurança aumenta a probabilidade de os hospitais serem uma fonte de contágio, e Angola está nesta situação atualmente. Segundo o presidente do Sindicato de Médicos de Angola, “encorajar um médico para trabalhar nestas condições fica muito difícil”.

Quando não temos quase nada, nós temos hospitais que nem água potável têm, temos médicos que estão a trabalhar sem luvas, sem máscaras, e quando isso acontece é coisa para dizer que a situação não está boa”, disse.

Para o sindicalista, é preciso uma aposta forte na sensibilização da população, “para que as pessoas cumpram escrupulosamente aquilo que são as orientações do Ministério da Saúde e, acima de tudo, com o estado de emergência que vai começar agora”.

A par da questão da biossegurança, Adriano Manuel manifestou preocupação com os hospitais de uma forma geral, que “não estão preparados”. “Os hospitais angolanos não estão preparados, excetuando aquele hospital de campanha em que colocaram lá alguns meios, todo o resto dos hospitais não estão preparados”, frisou.

A título de exemplo, Adriano Manuel disse que em Angola não há cuidados intensivos com mais de 20 ventiladores mecânicos.

O país de uma forma geral não deve ter mais de 50 ventiladores mecânicos, e nas províncias que os hospitais têm ventiladores mecânicos, o pessoal não sabe trabalhar com eles, porque não foram preparados para isso”, salientou. Adriano Manuel disse que o sentimento na classe médica “é de frustração”.

“Os médicos estão preocupados, porque como são eles os elementos da linha da frente, tanto médicos como enfermeiros, a probabilidade de haver contágio é muito grande, ninguém quer morrer, essa é a grande preocupação da classe médica e dos enfermeiros em geral”, sublinhou.

O presidente do Sindicato de Médicos de Angola disse que “existem hospitais que os médicos não querem trabalhar, porque não têm meios de segurança”. “Daí que a declaração do estado de emergência foi uma declaração muito bem-vinda e bem acolhida pela classe médica em geral”, referiu.

O Presidente angolano, João Lourenço, decretou, na noite de quarta-feira, estado de emergência no país, para conter a propagação da Covid-19 com registo de três casos positivos em Angola.

O estado de emergência em Angola, com período de 15 dias prorrogáveis, tem início na madrugada de sexta-feira, 27 de março. Angola desenvolve várias ações de sensibilização e reforço das medidas de vigilância epidemiológica nos 32 pontos de entrada espalhadas pelo país.

O número de mortes caudadas pela Covid-19 em África subiu esta quinta-feira para 72 com o número de casos acumulados a ultrapassar os 2.700 em 46 países, segundo estatísticas mais recentes sobre a pandemia. O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou perto de 450 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 20 mil.