O Papa Francisco, que celebrou esta quinta-feira como habitualmente a missa matinal na sua residência, acusou negativo no teste ao novo coronavírus, noticiam os jornais italianos. Segundo os vaticanistas do Messagero e do Fatto Quotidiano, o sumo pontífice fez na quarta-feira um teste, após a descoberta no mesmo dia de um caso de contaminação de um prelado que vive há anos na mesma casa.

Esta verificação foi feita a todas as pessoas que trabalham na Casa de Santa Marta, nomeadamente os secretários particulares do Papa. Todos os testes ao coronavírus que provoca a covid-19 foram negativos, escrevem os dois jornais, citando fontes internas do Vaticano.

A informação não foi oficialmente confirmada pelo Vaticano, que nada comentou sobre um primeiro teste do Papa, no início do mês, quando Francisco teve sintomas de gripe, como com tosse, e cancelou compromissos.

O Papa presidiu à missa matinal na pequena capela da residência. “Nestes dias de tanto sofrimento, há muito medo. Medo pelas pessoas de idade, que estão sós, nos lares, nos hospitais ou nas suas casas e não sabem o que pode acontecer”, sublinhou o Papa na homilia.

Francisco referiu “os trabalhadores sem emprego estável que pensam como alimentar os filhos e veem a fome chegar” e as pessoas “ao serviço da sociedade, que atualmente contribuem para manter a sociedade, podendo contrair a doença”. “E também o medo – os medos – de cada um de nós”, disse o Papa, convidando à oração para superar as dificuldades.

O Papa vive na residência do hotel Santa Marta, que também abriga prelados que passam por Roma. Segundo o site Vatican de La Stampa, o Papa está cercado, há algum tempo, por um “cordão sanitário anti-contágio”, que o segue para onde quer que vá. Já não toma as refeições na sala de estar comum da residência, mas no seu apartamento, e as pessoas ao seu redor recebem constantemente produtos desinfetantes.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais 480.000 pessoas em todo o mundo, das quais cerca de 22 mil morreram. Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com quase 260.000 infetados, é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos. Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais — 7.503 mortos em 74.386 casos registados até quarta-feira. Portugal tem 60 mortes e mais de 3.500 infetados, segundo os dados oficiais desta quinta-feira.