Numa altura em que, por todo o mundo, os países tentam dar estímulos às respetivas economias, as autoridades chinesas puxam pelo consumo interno também através de cupões. De acordo com o South China Morning Post, o Governo central está a trabalhar com autoridades locais para fazer face aos efeitos económicos da pandemia, incentivando-os a darem “vouchers” às famílias chinesas para que comprem produtos específicos.

Uma das cidades que já avançou com este programa, Zhejiang, perto de Xangai, vai distribuir 128 milhões de euros (mil milhões de yuan) em cupões; Nanjing, na mesma zona, vai distribuir não só cupões a sindicatos e a trabalhadores com rendimentos mais baixos, no valor de 40 milhões de euros (318 milhões de yuan), como avança ainda com sorteios de outros “vouchers”, que rondam os 6 e os 13 euros (50 a 100 yuan); e em Jinan, a 400 km de Beijing, as autoridades locais distribuem 2,5 milhões de euros (20 milhões de yuan).

A ideia de distribuir “vouchers” não é, no entanto, consensual na China, segundo o South China Morning Post, que cita um académico de um “think thank” próximo do governo: pode, por um lado, mostrar-se irrelevante no nível do consumo — tendo em conta que, nesta fase, a procura por bens de consumo de longa duração, como automóveis, mobiliário ou eletrodomésticos está a ter forte quebra —, mas, mais ainda, pode fazer subir a inflação.

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O jornal de Hong Kong explica, por isso, que a liderança chinesa não pretende avançar com um programa do género a nível nacional, preferindo injetar dinheiro no sistema financeiro, nas empresas públicas e no aparelho de Estado.

Como consequência da crise, as vendas junto do consumidor final tiveram uma queda abrupta, de 20,5%, nos primeiros dois meses do ano, comparando com o mesmo período do ano passado.

Este estímulo ao consumo surge numa altura em que os números totais reportados pela China sobre a pandemia mostram uma estabilização, em torno dos 81 mil casos de infeção, que levaram as autoridades a levantarem grande parte das restrições de mobilidade.

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