Os veteranos do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) apelaram esta sexta-feira aos guineenses para cumprirem com as ordens dos técnicos de saúde no âmbito do combate ao novo coronavírus.

Em comunicado, após uma reunião do seu comité, os veteranos do PAIGC apelaram aos guineenses para “acatar com rigor e disciplina todas as orientações emanadas pelos técnicos de saúde, no domínio das medidas preventivas destinadas a travar a pandemia” do novo coronavírus.

Na Guiné-Bissau, as autoridades confirmaram a existência de dois infetados com Covid-19.

Os veteranos salientaram que a vigilância nas fronteiras terrestres e marítimas deve ser mantida para que não passem “potenciais infetados”.

Na nota, os veteranos condenam todas as “medidas tendentes a fazer silenciar órgãos de comunicação social que estão a desempenhar com lisura, competência e verdade o dia-a-dia que se vive na Guiné-Bissau e no mundo”.

Os veteranos do PAIGC também manifestaram solidariedade com todos os “políticos, ex-membros do Governo, jornalistas” e analistas “que têm sido alvo de ameaças, perseguições, violência e demais pressões psicológicas“.

No comunicado, apelaram também às organizações internacionais para continuarem a apoiar a Guiné-Bissau com vista à reposição da ordem constitucional e legal.

A Guiné-Bissau vive mais um período de crise política, depois de o general Umaro Sissoco Embaló, dado como vencedor das eleições pela Comissão Nacional de Eleições, se ter autoproclamado Presidente do país, enquanto decorre no Supremo Tribunal de Justiça um recurso de contencioso eleitoral apresentado pela candidatura de Domingos Simões Pereira.

Umaro Sissoco Embaló tomou posse numa cerimónia dirigida pelo vice-presidente do parlamento do país Nuno Nabian, que acabou por deixar aquelas funções, para assumir a liderança do Governo nomeado pelo autoproclamado Presidente.

O governo liderado por Nuno Nabian ocupou os ministérios com o apoio de militares, mas Sissoco Embaló recusou que esteja em curso um golpe de Estado no país e disse que aguarda a decisão do Supremo sobre o contencioso eleitoral.

Na sequência da tomada de posse de Umaro Sissoco Emabaló e do seu governo, os principais parceiros internacionais da Guiné-Bissau apelaram a uma resolução da crise com base na lei e na Constituição do país, sublinhando a importância de ser conhecida uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre o recurso de contencioso eleitoral.

O autoproclamado Presidente da Guiné-Bissau declarou esta sexta-feira o estado de emergência no país, no âmbito do combate ao novo coronavírus.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou cerca de 540 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 25 mil. Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.