Espanha comprou 58 mil testes rápidos à Covid-19 a um fornecedor espanhol que os tinha adquirido à empresa Shenzhen Bioeasy, com sede na China. Acontece que através de um comunicado publicado no Twitter, a Embaixada da China em Espanha anunciou que a empresa em questão não tem “licença oficial” para vender os produtos e, além disso, nem sequer figurava na lista de fornecedores recomendados ao Governo de Espanha pela diplomacia chinesa.

Afinal, Espanha não comprou 9 mil testes defeituosos a empresa chinesa — foram 58 mil

Depois de ter percebido a falha nos testes, o governo espanhol devolveu os 58 mil testes que já tinha recebido e cancelou a restante encomenda, já “apalavrada” de 582 mil testes, segundo o El Mundo. Mas a ligação de Espanha à Bioeasy não se fica por aqui. Apesar da má experiência, o Executivo espanhol insiste no negócio com a empresa chinesa e vai receber novamente testes rápidos da Bioeasy, confirmaram ao El Mundo fontes do minstério da Saúde espanhol. Serão 640 mil novos testes, alegadamente, com “maior certificação e fiabilidade comprovada”.

Os testes devolvidos e o cancelamento da encomenda de outros 582 mil “já apalavrados”, num total de 640 mil testes será agora substituída pela entrega de 640 mil unidades de um “novo modelo de teste com as especificações e sensibilidade requeridas” (eficácias de 80% e não de 30%, como se comprovou nos primeiros testes rápidos), provenientes da mesma empresa para a qual a embaixada da China em Madrid já alertou que não tem certificação.

“Em breve teremos estes testes rápidos que, estes sim, parecem ter a qualidade necessária”, afirmou na sexta-feira Fernando Simón, o responsável espanhol que tem sido a voz do governo diariamente, na conferência de imprensa de anúncio dos boletins de saúde. Diariamente, Espanha está a realizar 15 mil testes PCR, os que demoram mais tempo, a mesma metodologia seguida pelas autoridades de saúde portuguesas e o único que até agora tem autorização do Infarmed e do Insa, devido à sua fiabilidade.

O governo espanhol não identificou o mediador do negócio com a empresa chinesa, para a compra dos 640 mil testes, mas assegura que se trata de uma empresa espanhola e responsabiliza esse intermediário pela falha dos primeiros testes: “Não estamos habituados a comprar à China, temos muitos intermediários que nos apresentam excelentes oportunidades, mas que afinal não o são”, explicou a ministra das Relações Exteriores de Espanha, Arancha González Laya, em entrevista à Radio Euskadi.

Relativamente a mais remessas de testes, num total de mais de cinco milhões, que Espanha vai receber o governo já garantiu que serão “verificados” antes de serem entregues aos municípios.