Nasceu um ano antes de o Titanic afundar, três anos antes do início da Primeira Guerra Mundial e um ano depois da implementação da República em Portugal. Nasceu também sete anos antes da pandemia de Gripe Espanhola que assolou o mundo inteiro — e à qual sobreviveu. Hilda Churchill, uma das 1.228 pessoas que o coronavírus já matou no Reino Unido, morreu este sábado aos 108 anos, tornando-se a vítima mortal mais velha no país.

Hilda Churchill morreu num lar de Salford, em Inglaterra, apenas horas depois de testar positivo para a Covid-19 e oito dias antes de completar 109 anos. Logo depois do final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, a Gripe Espanhola alastrou pelo mundo inteiro e infetou cerca de 500 milhões de pessoas — quase toda a família de Hilda, que vivia em Crewe, a sul de Liverpool e Manchester, foi infetada pela doença mas só a irmã mais nova da inglesa, com apenas 12 meses, acabou por não sobreviver.

“P”, Máxima e Lina nasceram em plena Gripe Espanhola. Agora sobreviveram à COVID-19

“Enquanto lhe falava sobre o coronavírus ela começou a falar sobre a Gripe Espanhola e a recordar o quão terrível foi”, disse o neto de Hilda, Anthony Churchill, ao Manchester Evening News. Anthony acrescentou ainda que, nas últimas horas de vida, a avó se recordou de que o pai “colapsou na rua”, devido à Gripe Espanhola, e lembrou-se de ver “um pequeno caixão ser colocado numa carruagem”, que transportava a irmã bebé.

Hilda Churchill, que deixa quatro filhos, 11 netos e 14 bisnetos, era costureira e mudou-se para Salford durante a Grande Depressão, nos anos 30. “Ela nunca entendeu como é que ficou tão velha. Acho que foi o trabalho esforçado que a fez continuar. Isso e bons genes”, explicou o neto, que disse ainda que Hilda nunca teve grandes problemas de saúde. “Chegou a dizer que era impressionante como uma coisa que não conseguimos ver pode ser tão devastadora”, concluiu Anthony Churchill.

Em Itália e em Espanha, também ficaram conhecidas outras histórias de sobreviventes da Gripe Espanhola infetados com o coronavírus: contudo, nesses três casos, todos sobreviveram também à pandemia atual. “P”, italiano de 101 anos, Lina, italiana de 102 anos, e Máxima, espanhola também centenária, ultrapassaram a Gripe Espanhola há quase um século e voltaram agora a superar a Covid-19.