GP da Austrália, cancelado. GP do Bahrein, adiado. GP do Vietname, adiado. GP da China, adiado. GP da Holanda, adiado. GP de Espanha, adiado. GP do Mónaco, o mítico do GP Mónaco, cancelado. GP do Azerbaijão, adiado. A Fórmula 1, que tem nesta fase o Grande Prémio do Canadá como primeira prova da temporada a 14 de junho (com um risco enorme de não ser realizada também, pelo menos nessa data), continua a estudar a melhor forma de poder recalendarizar um Mundial de 2020 que ficará para sempre marcado pela pandemia global da Covid-19. Menos provas, um Campeonato até 2021, tudo está em aberto. Mas nem por isso deixa de haver notícia.

À cabeça, a boa notícia: a equipa de engenheiros da Mercedes, que se tinha juntado ao University College Hospital de Londres, ajudou a construir em apenas cinco dias um aparelho que consegue fazer chegar oxigénio aos pulmões sem que exista a necessidade de um ventilador (CPAP, Continuous Positive Airway Pressur), um imperativo em muitos países na Europa com défice de unidades para o que é preciso, tendo Itália como exemplo paradigmático. O aparelho já está em uso em alguns países e foram agora feitos 40 para distribuir por três unidades em Londres, havendo a possibilidade de produzir pelo menos 1.000 unidades por dia daqui a uma semana.

Agora, a notícia no mínimo “estranha” – a ideia de infetar todos os pilotos (saudáveis) de uma equipa numa fase onde a competição está parada, ideia essa que acabou por ser vetada de imediato sem grandes conversas.

“A ideia passava por organizar um retiro, uma espécie de acampamento, que seria ideal para o vírus se propagar. Todos são jovens e estão de boa saúde. Estariam preparados para quando começar a temporada e para o que se presume vir a ser um campeonato muito complicado quando começar. Qual foi a reação da equipa e dos pilotos? Digamos que não foi uma ideia bem recebida…”, comentou Helmut Marko, consultor da Red Bull (que tem Max Verstappen, Alexander Albon, Pierre Gasly e Daniil Kvyat como pilotos, havendo ainda mais oito a dez “juniores”), em declarações citadas à BBC que foram prestadas à emissora austríaca ORF.

Mas existe uma justificação para esta ideia que caiu pouco depois de nascer: o caso do próprio. “A meio de fevereiro estive muito constipado, com uma tosse forte. Fiquei assim uma semana e meia, o que comigo é muito tempo. Estou convencido que tudo se deveu a este vírus, se não fosse assim não teria ‘sobrevivido’ ao que se passou no aeroporto do Dubai na viagem de regresso [da Austrália]. Ali, milhares de pessoas provenientes de vários países permaneceram amontoadas num espaço reduzido. Tossiam para cima uns dos outros, davam encontrões uns nos outros, tocavam acidentalmente uns nos outros… Para mim era o local ideal para se ficar infetado por este vírus, só não aconteceu a quem já tivesse desenvolvido resistências a esta doença”, destacou.

Com 76 anos, o austríaco Helmut Marko, que foi amigo de infância de Jochen Rindt, está ligado à Fórmula 1 há cinco décadas (e não só porque chegou a vencer as 24 Horas de Le Mans), tendo participado em dez Grandes Prémios entre 1971 e 1972 até à prova de França de 1972, quando uma pedra projetada pelo Lotus do brasileiro Emerson Fittipaldi acabou por atravessar o seu capacete e tirar-lhe a visão do olho esquerdo, forçando ao final prematuro de carreira. Depois de ser agente de pilotos como Gerhard Berger, é consultor da Red Bull desde 2005, tendo sido também supervisor do programa de desenvolvimento de pilotos da equipa por onde passaram nomes grandes do Mundial como Sebastien Vettel, Max Verstappen ou Daniel Ricciardo.