Esta quinta-feira, serão revelados os seis finalistas do Booker Prize International 2020, prémio que procura incentivar a publicação e leitura de ficção de qualidade traduzida para a língua inglesa. A longlist, composta por 13 obras, foi anunciada no final de fevereiro e inclui autores como Michel Houellebecq, Samantha Schweblin, Fernanda Melchor e Enrique Vila-Matas.

Na altura do anúncio da longlist, o presidente do júri deste ano, Ted Hodgkinson, apontou o “fôlego” e a “genialidade” dos finalistas, que refletem “uma mestria cumulativa enraizada no diálogo entre autores e tradutores”, que possui o “poder de ampliar o alcance das vidas que se encontram numa página”. “Estes são livros que nos deixaram impressões permanentes enquanto jurados”, disse Hodgkinson. “Numa época que nos exige cada vez mais que escolhamos um lado, estas obras de arte transcendem certezas morais e estreitam identidades, restaurando a sensação de espanto no grande e ambíguo lote da humanidade.”

A longlist completa do Booker International 2020 é a seguinte:

  1. Red Dog, de Willem Anker (África do Sul). Traduzido por Michiel Heyns (Pushkin Press);
  2. The Enlightenment of The Greengage Tree, de Shokoofeh Azar (Irão). Tradutor anónimo (Europa Editions);
  3. The Adventures of China Iron, de Gabriela Cabezón Cámara (Argentina). Traduzido por Iona Macintyre e Fiona Mackintosh (Charco Press);
  4. The Other Name: Septology I – II, de Jon Fosse (Noruega). Traduzido por Damion Searls (Fitzcarraldo Editions);
  5. The Eighth Life, de Nino Haratischvili (Geórgia). Traduzido por Charlotte Collins e Ruth Martin (Scribe UK);
  6. Serotonin, de Michel Houellebecq (França). Traduzido por Shaun Whiteside (William Heinemann);
  7. Tyll, de Daniel Kehlmann (Alemanha). Traduzido por Ross Benjamin (Quercus);
  8. Hurricane Season, de Fernanda Melchor (México). Traduzido por Sophie Hughes (Fitzcarraldo Editions);
  9. The Memory Police, de Yoko Ogawa (Japão). Traduzido por Stephen Snyder (Harvill Secker);
  10. Faces on the Tip of My Tongue, de Emmanuelle Pagano (França). Traduzido por Sophie Lewis e Jenninfer Higgins (Peirene Press);
  11. Little Eyes, de Samanta Schweblin (Argentina). Traduzido por Megan McDowell (Oneworld);
  12. The Discomfort of Evening, de Marieke Lucas Rijneveld (Países Baixos). Traduzido por Michele Hutchison (Faber & Faber);
  13. Mac and His Problem, de Enrique Vila-Matas (Espanha). Traduzido por Margaret Jull Costa e Sophie Hughes (Harvill Secker).

Além do escritor e crítico literário Ted Hodgkinson (presidente), o júri do Booker Prize International de 2020 é composto pela diretora da Villa Gillet e editora Lucie Campos, pela tradutora Jennifer Croft (que recebeu este mesmo prémio pela tradução de Viagens, da polaca Olga Tokarczuk, em 2018), pelo jornalista e escritor Jeet Thayil e pela autora Valeria Luiselli.

Jokha Alharti: uma janela para o outro

No ano passado, o galardão foi atribuído a Jokha Alharti, pelo romance Corpos Celestiais, publicado em Portugal no início deste ano pela editora Relógio d’Água. Alharti foi a primeira escritora originária do Sultanato de Omã a vencer o prémio, a primeira a ser traduzida para inglês e a sua obra a primeira em língua árabe a ganhar o galardão.

O vencedor da edição de 2020 será anunciado a 28 de julho.