Ao fim de dois meses de sucessivas tentativas, a revista Science conseguiu entrevistar o maior especialista em coronavírus da China. Nessa entrevista, o diretor-geral do Centro Chinês de Controlo e Proteção de Doenças, George Gao, identifica aquela que considera ser a maior falha que os outros países estão a cometer: “O grande erro nos EUA e da Europa é o facto de as pessoas não estarem a usar máscaras“. Em Portugal, a Direção-Geral de Saúde tem desaconselhado o uso de máscara, alegando a “falsa sensação de segurança”.

George Gao explica que o “vírus é transmitido por gotículas e pelo contacto de proximidade” e que as “gotas desempenham um papel muito importante, daí ser necessário usar uma máscara, porque quando as pessoas falam, há sempre gotículas a sair da boca. Como muitas pessoas têm infecções assintomáticas ou pré-sintomáticas, se usarem máscaras, podem impedir que gotículas que transportam o vírus saiam e infetem outras pessoas”.

Sobre a investigação do South China Morning Post que revelou dados do governo mostram que o primeiro caso foi a 17 de novembro, George Gao respondeu: “Não há evidências sólidas para dizer que já havia casos em  novembro. Estamos a tentar perceber melhor a origem!”.

O jornalista da Science questiona sobre George Gao sobre o artigo que publicou New England Journal of Medicine, já que havia a ideia que a origem do vírus foi no mercado de frutos do mar de Whuan, por muitos dos casos terem ligação com aquele lugar. Mas no artigo, Gao faz uma análise retrospetiva aos casos e descreve que quatro das cinco primeiras pessoas infetadas não tinham vínculos com o mercado de frutos do mar. Ora, isso significa que mercado de Whuan é o local de origem ou o local onde foi amplificado o vírus? “Desde o início, todos pensaram que a origem era o mercado. Agora, acho que o mercado pode ter sido o local de origem, ou o local onde o vírus foi amplificado. Então essa é uma questão científica. Existem duas possibilidades”.

O especialista chinês comentou ainda o facto de o presidente dos EUA se referir ao novo coronavírus como o “vírus da China”: “Não é bom chamar o vírus de vírus chinês. O vírus pertence à Terra. O vírus é nosso inimigo comum — não o inimigo de uma pessoa ou  de um país“.