O número de mortos na guerra na Síria caiu em março para o nível mais baixo desde o início do conflito, em 2011, num contexto de pandemia do novo coronavírus e de cessar-fogo na província noroeste de Idlib.

Os dados são do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que registou em março 508 mortos, incluindo 103 civis, o número mais baixo de vítimas mortais desde que esta ONG, com sede no Reino Unido e uma ampla rede de informadores no terreno, contabiliza as mortes no conflito.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, o observatório precisa que cerca de metade dos 103 civis morreram em bombardeamentos das forças do regime e da sua aliada Rússia.

O OSDH, que não dá explicações para a redução do número de mortos, assinala que entre as vítimas mortais se encontram 115 combatentes de vários grupos rebeldes e islamitas e 94 efetivos das forças leais a Bashar al-Assad.

Morreram ainda 11 soldados da Turquia, que ajuda alguns rebeldes sírios, 36 milicianos xiitas aliados do governo e 93 combatentes não sírios de grupos como o jihadista’« Estado Islâmico e a Frente al-Nusra (antiga denominação do ex-ramo sírio da Al-Qaida).

O comunicado dá ainda conta de 2.802 ataques em março, incluindo 391 bombardeamentos russos e 266 do regime.

A Rússia e a Turquia acordaram a 5 de março um novo cessar-fogo em Idlib, o último grande bastião rebelde no país, para conter a escalada de tensão que se seguiu à morte de mais de três dezenas de soldados turcos em ataques das tropas sírias.

Além do cessar-fogo, Moscovo e Ancara acordaram estabelecer um “corredor de segurança” e criar patrulhas conjuntas ao longo da estrada M4, que liga Alepo e Latákia.

Desencadeada em 2011, a guerra na Síria já causou mais de 380.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.