O isolamento social face à pandemia da Covid-19 está a gerar apreensão junto dos comerciantes da Baixa de Coimbra, afirmou uma associação representativa do setor, que teme que alguns empresários, entre os quais novos investidores na zona, possam não aguentar este momento.

Está a ser uma aflição. Volta e meia, recebemos partilhas de desespero”, disse à agência Lusa a presidente da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), Assunção Ataíde, considerando que este é um “momento de preocupação profunda” para todos os comerciantes da zona, que, em termos económicos, já estavam numa situação “muito frágil”.

Segundo Assunção Ataíde, a Baixa de Coimbra parecia agora viver uma fase ascendente, com mais variedade de comércio em parte alimentada pelo turismo e, consequentemente, mais gente naquela zona da cidade. No entanto, o estado de emergência poderá levar a uma paragem brusca nesse crescimento que se estava a desenhar, notou.

Todo esse trabalho, todo esse empenho, pode ir por água abaixo. Subir uma montanha é difícil, mas descê-la é num instante, nem que venhamos aos trambolhões”, afirmou.

De acordo com a presidente da APBC, alguns comerciantes com muitos anos na Baixa de Coimbra “fizeram o seu baú e agora têm que ir ao baú para pagar aos empregados”, haverá outros que têm pouco ou nenhum fundo de maneio e terão dificuldades em aguentar muito tempo, mas a grande preocupação vai para o grupo de novos comerciantes que estava a apostar na zona. “Há comerciantes que apareceram há pouco tempo, investiram imenso, remodelaram espaços, estavam numa fase de grande investimento e agora não veem caixa [faturação]. É aflitivo”, constatou.

Para Assunção Ataíde, o momento pode ser “mais dramático para os novos comerciantes”, que estariam à espera de uma primavera e verão bons para o negócio.

O que mais receamos é que os novos não se aguentem. Esperemos que a quarentena não seja tantos meses, mas, para todos os efeitos, esses novos comerciantes estavam a investir no turismo e o turismo não vai aparecer agora de um dia para o outro”, sintetizou.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou perto de 866 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 43 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito na quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 187 mortes, mais 27 do que na véspera (+16,9%), e 8.251 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 808 em relação a terça-feira (+10,9%).