Moçambique está alerta ao ver “a casa do vizinho a arder”, com o avanço da pandemia de covid-19 nos países fronteiriços, situação que justifica o estado de emergência decretado até final de abril, disse esta sexta-feira a diretora nacional da Saúde Pública.

“Quando a casa do vizinho começa a arder tem de pensar que a próxima é a sua. Não temos de ficar à espera” para “tomar medidas”, referiu Rosa Marlene durante uma conferência de imprensa em Maputo.

A dirigente classifica o estado de emergência como “uma demonstração do compromisso do Governo de Moçambique em tudo fazer”, para que não entre numa crise de saúde por causa da doença respiratória de covid-19.

Os espaços de diversão e lazer estão encerrados, estão proibidos todo o tipo de eventos e aglomerações superiores a 20 pessoas e há limitações na lotação de transportes.

Durante o mesmo período, as escolas estão encerradas e a emissão de vistos para entrar no país está suspensa.

Só haverá limitações à circulação se houver crescimento exponencial de casos.

As restrições estão um nível abaixo das mais severas, aplicadas, por exemplo, na vizinha África do Sul, com um recolher obrigatório de 21 dias, numa altura em que soma cinco mortes e cerca de 1500 casos oficiais.

Rosa Marlene considera as medidas em Moçambique proporcionais à situação no país, tal como já havia referido o Presidente da República, Filipe Nyusi: o Estado lusófono tem dez casos oficialmente registados, todos de sintomas ligeiros e sem mortes, tendo realizado 317 testes desde o início da pandemia, a 11 de março.

Têm sido conduzidos para despistagem os casos de que haja conhecimento e que estejam enquadrados pelos critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS), tais como, pessoas oriundas de países afetados ou que tenham estado em contacto com alguém infetado, entre outros.

Além da África do Sul, nos outros cinco países com que Moçambique partilha fronteira terrestre, a Tanzânia acumula 20 casos e um morto, a Zâmbia totaliza 39 casos e um morto, o Zimbábue regista nove casos e um morto, Eswatini nove casos e Maláui três, sem mortes nestes dois últimos países.

Moçambique é um dos países mais pobres do mundo e Rosa Marlene reconheceu que o sistema de saúde de Moçambique terá “desafios” a enfrentar, tendo já solicitado o apoio de doadores.

O objetivo, referiu, é conseguir “retardar o pico de epidemia” para “conseguir responder” às eventuais necessidades de tratamento.

Parte da responsabilidade recai sobre cada pessoa e cada instituição, frisou, e na forma como acatar as medidas e recomendações do estado de emergência.

“O sucesso está em cumprir com as medidas de prevenção”, frisou, acrescentando que o decreto presidencial que decretou o estado de emergência “é para orientar, cabe a cada um cumprir”.