O contágio em massa nos lares em Espanha — um cenário que se repete um pouco por todos os países — tornou-se cedo uma preocupação para as autoridades de saúde. E não dá sinais de abrandar: em média, 285 idosos morreram por dia em lares de Madrid — uma semana “negra”, como descreve o El Español.

De acordo com dados divulgados esta sexta-feira por Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madrid, cerca de três mil idosos morreram em lares desde o início do surto da Covid-19 — um número que triplicou em apenas uma semana. Na passada sexta-feira, o balanço da presidente da Comunidade de Madrid dava conta de 1.065 idosos que morreram em lares, vítimas do novo coronavírus.

Os números da semana passada apontavam para uma percentagem de 2% de utentes dos 475 lares em Madrid que tinham morrido devido à Covid-19. Agora, com os novos dados, essa percentagem aumentou para 6%.

O El Español explica ainda que, num mês normal, registam-se cerca de mil mortes por mês em todos os lares de Madrid. Ora, atualmente, a cada quatro dias, morrem mais de mil utentes. 

Vamos ver nos lares portugueses a tragédia espanhola?

França vive o mesmo pesadelo. Na região francesa de Grand-Est já morreram 570 idosos em casas de repouso. Em 411 dos 620 lares da zona foram registadas contaminações, lê-se no El Mundo.

Por cá, os lares também são uma preocupação das autoridades de saúde. Ainda na conferência de imprensa desta sexta-feira, a diretora-geral de saúde garantiu que este problema foi cedo previsto. “Nós tivemos sempre uma política em relação aos lares. Há uma intervenção junto dos lares que está em norma há muito tempo. Desde logo o início que dissemos que para entrar num lar, o novo utente tem de fazer um teste e fazer utente”.

A invasão do coronavírus nos lares. Em Espanha, mais de 70 idosos morreram. Em Portugal, a preocupação cresce

Graça Freitas garantiu que atualmente “num lar em que se suspeite que há sintomas”, a regra é isolar e testar. Por fim, “separar: os mais graves irão para os hospitais, os outros a comunidade tomará conta deles”. Além disso, garante que “tem havido orientações e imensas reuniões entre o setor da saúde e social a nível nacional.”