Num vídeo de cinco minutos, André Ventura confirma a notícia avançada pelo Observador que dava conta da sua demissão enquanto líder do Chega. O deputado admite ainda que a decisão está tomada e vai ser apresentada nos próximos dias ao presidente da Mesa do partido. No vídeo, André Ventura assume que será candidato à liderança do partido e incentiva os críticos a “avançarem”.

Durante a tarde de sábado, André Ventura enviou também uma mensagem escrita aos militantes a dar-lhes conta do que o levou a tomar esta decisão. “Temos de estar unidos e penso que uma clarificação interna faz mais falta do que nunca, a nível nacional e – nalguns casos, a nível distrital – pois há conflitos que parecem não ter solução sem uma ida às urnas. Talvez até uma clarificação política interna e uma Convenção nacional acabem por ser o motor de unidade que o partido precisa para os dois desafios eleitorais que se aproximam”.

Na mensagem, André Ventura explica ainda que os próximos passos vão ser definidos em duas reuniões a realizar durante a próxima semana, via Zoom ou Skype: uma com a direção nacional, e os representantes de cada um dos órgãos nacionais, e uma outra com os presidentes das estruturas distritais. Ao Observador, fonte próxima de Ventura confirma que a demissão será comunicada oficialmente ao partido após as essas duas reuniões.

André Ventura apresenta demissão da liderança do Chega e convoca eleições em setembro para “clarificar”

Ainda na mensagem enviada aos militantes, o deputado aproveita para justificar o seu sentido de voto face à declaração de Estado de Emergência – e que terá precipitado esta crise interna. “Recebi as vossas mensagens e as vossas preocupações. Quero deixar claro que foram dois motivos essenciais, mas muito fortes, para a nossa abstenção. A possibilidade expressamente prevista de libertação de presos e a política de estrangulamento das empresas e das famílias que está a ser levada a cabo sob pretexto da crise”.

Não esconde, por isso, ter sido surpreendido com as críticas de que foi alvo e que condicionam a sua “liderança”. “Critica leal e aberta é uma coisa, outra são grupos e grupinhos que se continuam a agrupar à margem do partido para condicionar a liderança nacional. Continuam a sair notícias que deviam ser exclusivamente internas sem que ninguém se responsabillize. Não sou permissivo a chantagens nem manipulações”, concluiu.