Depois do pior dia, alguma esperança. Houve 594 novas mortes, mais 8.327 casos, mais 574 internamentos e mais 250 pessoas nos cuidados intensivos. Os números os do estado de Nova Iorque — que conta com um total de 122.031 casos e 4.159 mortes por Covid-19 — são duros, mas há um primeiro sinal de esperança que o governador do estado fez questão de lembrar na conferência de imprensa deste domingo. Andrew Cuomo registou que o número de mortes num dia “desceu pela primeira vez” nesta fase crítica de propagação da doença, embora ressalve que “é muito cedo” para perceber o verdadeiro significado desta descida.

No sábado (dia 4) tinham existido 630 novas mortes, o número mais alto em apenas um dia, mas este domingo o número desceu para 594. Ainda assim, acima de sexta-feira, quando o aumento tinha sido de 562 mortes. Enquanto mostrava um gráfico no ecrã que se referia ao pico como “Battle of the Mountain Top” (“Batalha do topo da montanha”), Cuomo disse acreditar que o estado pode estar “próximo do pico“, mas acrescentou que “os próximos dias” serão fundamentais para perceber se após esse pico a curva começa a descer significativamente ou se há um aplanar da curva com “um número elevado de casos registado ao longo de vários dias”.

Nova Iorque nunca tinha tido tantas mortes e novos casos num dia. Epicentro dos Estados Unidos aproxima-se do pico

O governador de Nova Iorque disse que no estado estão a ser testados “vários tipos de tratamentos” para doentes com coronavírus, como o “uso de plasma” ou a “hidroxicloroquina”, que está longe de ser consensual entre a comunidade científica.

Cuomo disse que está a ser estudado um programa de testes rápidos que pode ter um papel fundamental na proteção dos grupos mais vulneráveis e no regresso das pessoas ao trabalho. “Iremos permitir as pessoas regressarem ao trabalho quando soubermos que elas não estão num grupo vulnerável e que deram negativo”, explicou.

Nas últimas 24 horas, houve 575 novos internamentos hospitalares, mas também isto também significa que desceu “um pouco” o número de internamentos. Há também aquilo que Cuomo classifica de “uma ótima notícia”: a taxa de altas hospitalares “está a subir”.

As preocupações, tal como já acontecia no sábado, parecem agora estar a passar para a zona de Long Island. Cuomo afirmou ainda que neste momento “à medida que a percentagem de casos cresce em Long Island desce na cidade de Nova Iorque”.

Cuomo defendeu uma estratégia de que o governo federal deve concentrar esforços e material essencial (como ventiladores) durante uma fase difícil num estado que mais precise (como agora está a acontecer em Nova Iorque) e depois transferir ventiladores para outros estados quando estes estiverem no seu pico. Sobre o facto de isso significar que os nova-iorquinos poderiam ficar sem ventiladores, o governador afirmou: “Vamos apagar o fogo antes que ele chegue a nós“. E garantiu que ainda não saiu nenhum material médico do estado.

Quando um jornalista perguntou a Cuomo sobre o facto de Trump ter dito que gostaria que o desporto profissional regressasse em breve, o governador discordou: “Adoraria que o desporto voltasse, mas isto não é sobre esperanças, sonhos ou o que eu gostaria que acontecesse“. Andrew Cuomo disse ainda que os políticos têm de “seguir a ciência” e esperar que os especialistas digam “quando é hora de reabrir”.

Cuomo admitiu que não convidou Trump para visitar Nova Iorque, mas que é “bem-vindo”. E acrescentou: “Acredito que [ainda não veio porque] estão a tentar proteger a saúde do presidente“.