Há cada vez mais doentes a necessitar de internamento hospitalar e os hospitais devem ser reservados apenas para “casos graves e críticos”. A ministra da Saúde, Marta Temido, alertou este domingo no briefing diário sobre o surto de Covid-19 que “a pressão sobre o internamento hospitalar está a crescer” e por isso apela a lares e unidades de cuidados continuados que não bloqueiem o regresso de utentes que já não precisam de cuidado hospitalar.

Marta Temido revelou ainda que há já 1332 profissionais de saúde infetados, um aumento de 18,5% nos últimos de dois dias, que correspondem a mais 208 infetados neste grupo. Já a diretora-geral de Saúde — mesmo depois da confissão do Presidente da República de que usa máscara e luvas quando vai ao supermercado — insiste que esse material deve ser evitado pela população.

Durante a conferência de imprensa, embora registasse que a pressão sobre os hospitais, Marta Temido lembrou como tem sido preparado o aumento da capacidade de resposta, em particular nos cuidados intensivos. A ministra da Saúde explicou que o sistema de saúde se apetrechou “duplicando a capacidade ventilatória do início de março”. Por outro lado, os dados que a ministra deu demonstram que essa capacidade ainda não existe: só vai existir quando chegarem todas as encomendas.

A ministra registou que início de março, o SNS tinha “uma capacidade de 1142 ventiladores para o apoio a doentes a covid-19 adultos”. Mas “no dia de ontem” a “ACSS reportava ter comprado 1151 ventiladores, ter recebido em doação 247 ventiladores e ter recebido por empréstimo da Air Liquid 140 ventiladores”. E acrescentou: “O reforço de equipamentos atinge assim os 1538 aparelhos”. Isto seria, de facto, uma duplicação da capacidade  se os ventiladores já tivessem chegado (um total de 2680). O que não aconteceu ainda. Ontem chegaram apenas 144 ventiladores. O resto é uma previsão. Na próxima semana, explicou o vice-presidente da Administração Central do Sistema de Saúde, Diogo Serras Lopes, “há a expectativa de receber 508 do total de ventiladores” que vêm da China. 

Há 1.332 profissionais de saúde infetados

Sobre os profissionais de Saúde infetados, Marta Temido diz que até ao último sábado havia 1.332 profissionais com casos confirmados de infeção, especificando que 231 eram médicos, 339 enfermeiros e 762 outros profissionais de saúde. Ainda não há detalhes sobre a que grupos correspondem os “outros profissionais de saúde” nem as diferenças quais correspondem a profissionais do setor público e do privado privado.

Quanto à subida da taxa de letalidade — que já ultrapassou a média global de 1,4% e hoje se situou nos 2,6% —, Marta Temido fez questão de ressalvar à partida que o número não reflete apenas o “desempenho do SNS” mas também fatores como a estrutura demográfica da população. Depois, deu exemplos de “um conjunto de países que têm taxas bastante superiores”: “Itália está com 12,3%, o próprio Reino Unido com 10,3% e a vizinha Espanha com uma taxa de 9,5%”.

A governante confessa, no entanto, que preferia estar a par dos países que têm melhores resultados: “Claro que países como a Alemanha ou a Áustria têm taxas de que gostaríamos de nos aproximar, mas a estrutura demográfica da população, os hábitos de convívio, os hábitos sociais, a existência de estruturas sociais de apoio para idosos são aspetos que poderão ser causas justificativas e que nos devem fazer refletir à medida que a epidemia avança.”

Atrasos nos testes explicados com avarias e falta de zaragatoas

A ministra explicou ainda porque há testes a serem marcados, em alguns casos, para depois da Páscoa. Marta Temido lembra que há dois tipos de repostas: do setor público e laboratórios privados que estão a trabalhar com o SNS, além da ajuda que a academia está a dar nestes processos. A ministra admite que “há laboratórios que estão a marcar a realização de testes laboratoriais para períodos mais distantes” daqueles que são garantias do Serviço Nacional de Saúde. Esse problema ocorreu por algumas avarias e por falta de zaragatoas, mas que — com a chegada da ecomenda de zaragatoas no último sábado — a situação ficou mais “confortável”:

O Presidente da República confessou ontem que usa luvas quando vai ao supermercado, Graça Freitas insiste que não se deve fazê-lo. A diretora-geral de Saúde explica que o uso indevido do material de proteção pode ser mais “contraprudecente” e dar “uma falsa sensação de segurança”. Graça Freitas explica, em relação às luvas, que “quer se tenha luvas quer não se tenha luvas, se se tocar numa superfície contaminada, obviamente que os vírus e as gotículas ficam na superfície das luvas e, portanto, se forem levadas à cara, à boca, ao nariz ou aos olhos, os vírus são transmitidos”. E, portanto, as luvas são apenas “uma falsa sensação”. E explica que “quando muito seriam apenas utilizadas numa única vez, num único ato, descartadas, tiradas, deitadas fora. Senão, usemos as nossas mãos, evitemos levar as mãos à cara e lavemos as mãos com frequência”.

Presidente da República usa luvas. Graça Freitas volta a desaconselhar

O Presidente da República confessou ontem que usa luvas e m quando vai ao supermercado, mas Graça Freitas insiste que não se deve fazê-lo. A diretora-geral de Saúde explica que o uso indevido do material de proteção pode ser mais “contraproducente” e dar “uma falsa sensação de segurança”.

Graça Freitas explica, em relação às luvas, que “quer se tenha luvas quer não se tenha luvas, se se tocar numa superfície contaminada, obviamente que os vírus e as gotículas ficam na superfície das luvas e, portanto, se forem levadas à cara, à boca, ao nariz ou aos olhos, os vírus são transmitidos”. E, portanto, as luvas são apenas “uma falsa sensação”. E explica que “quando muito seriam apenas utilizadas numa única vez, num único ato, descartadas, tiradas, deitadas fora. Senão, usemos as nossas mãos, evitemos levar as mãos à cara e lavemos as mãos com frequência”. Graça Freitas acrescenta ainda que “a principal medida de proteção das mãos é a lavagem frequente e no intervalo da lavagem não tocar ou tentar não tocar na cara”.

Crianças têm tido “capacidade enorme de recuperação”

Depois de confirmar que a maior parte dos internados nas unidades de cuidados intensivos são pessoas idosas, a diretora-geral de Saúde explicou que as autoridades de saúde têm concentrado atenção também nos doentes mais jovens, nomeadamente crianças. “Estas idades pediátricas estão a ser atenciosamente acompanhadas todos os dias. Felizmente, as crianças que são internadas, mesmo aquelas que entram com um quadro clinicamente grave e complexo, têm tido uma capacidade enorme de recuperação e a maior parte delas está já no seu domicílio e muitas já foram dadas como curadas”, congratulou-se Graça Freitas.

“Nos adultos jovens a ida para as unidades de cuidados intensivos tem sido sobretudo determinada pela sua condição clínica de base”, acrescentou, explicando que os casos mais graves tinham “uma morbilidade basal muito grave”. “Quanto mais velha a pessoa, mais grave é a doença”, acrescentou.