A administração do Banco Económico considera que Angola enfrenta “um momento económico adverso e sem precedentes”, no seguimento da queda dos preços do petróleo e da pandemia da covid-19, que acentuam a incerteza sobre a recuperação económica.

“Angola atravessa um momento económico adverso e sem precedentes, justificado por fatores como a queda acentuada do preço do petróleo nas últimas semanas (mais de 70% desde o início do ano) com impacto direto na principal fonte de receitas do país, colocando uma pressão acrescida sobre as suas finanças públicas e posição líquida externa, em divisas”, lê-se num comunicado do Banco Económico (BE).

O documento, enviado na sequência da colocação em revisão com perspetiva negativa do ‘rating’ desta instituição financeira pela Moody’s, acrescenta que a crise económica resulta também do “rápido alastramento da pandemia covid-19 e o seu imprevisível efeito sobre a atividade económica mundial, nomeadamente em termos do impacto das condições de crédito e de liquidez, que também se podem traduzir no previsível acréscimo do endividamento e pressão sobre a balança de pagamentos”.

A estes fatores, conclui o BE, “acresce a difícil visibilidade sobre o ‘timing’ e o ritmo da recuperação da economia mundial no período pós covid-19 e do preço do petróleo, numa conjuntura de forte redução da procura e de queda geral dos preços das matérias-primas”.

Esta semana, a Moody’s colocou em revisão com perspetiva de descida o ‘rating’ da República de Angola e, consequentemente, o ‘rating’ dos três bancos que a agência de notação financeira segue no país.

“A Moody’s estendeu esta medida de forma transversal ao setor bancário angolano e colocou também o “Caa1 long term local currency rating” do Banco Económico sob revisão para um possível ‘downgrade'”, reagiu a administração do banco no comunicado.

“O Banco Económico encara o atual momento com serenidade e resiliência, tendo adotado as necessárias medidas de contingência para continuar a desenvolver a sua atividade dando cumprimento às determinações do Regulador (BNA) e está integralmente focado em encontrar as melhores soluções para as necessidades dos seus clientes e para o apoio às empresas e às famílias angolanas”, acrescentaram os administradores.

No texto que acompanha a divulgação desta ação de ‘rating’ sobre os bancos angolanos, na quinta-feira, a Moody’s escreveu que esta ação, que não é uma descida do ‘rating’, mas sim o passo prévio, incide sobre o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o Banco de Fomento Angola (BFA) e o BE, os dois primeiros com nível B3 e o terceiro com nível Caa1, todos com grau especulativo.

“A principal motivação destas ações de ‘rating’ é o ambiente operacional cada vez mais incerto em Angola, que resulta da forte queda do preço do petróleo e da forte exposição dos bancos ao país, principalmente na forma de significativos ativos ligados à dívida pública, que ligam o perfil de crédito dos bancos ao perfil de crédito do Governo”, lê-se na nota enviada à Lusa.

A decisão surge na mesma semana em que a Moody’s colocou o ‘rating’ da República em perspetiva de descida, um processo durante o qual a agência vai analisar a resposta do Governo à alteração das condições económicas e financeiras para depois decidir, até ao verão, sobre a qualidade do crédito soberano, sendo que o anúncio foi feito com a perspetiva de que dificilmente Angola escapará a uma degradação do ‘rating’.

“Durante o período de revisão, a Moody’s vai avaliar o impacto da degradação económica na qualidade dos ativos, na capitalização e na liquidez em moeda externa dos bancos, a resposta governamental ao choque — que servirá para aferir do ‘rating’ da República -, e qualquer mudança na disponibilidade do Governo para ajudar os bancos em necessidade”, refere ainda no texto.

A degradação do ambiente operacional dos bancos está intimamente ligada à queda do preço do petróleo, diz a Moody’s, que reviu em baixa a estimativa do preço médio do barril para 40 a 45 dólares este ano e 50 a 55 dólares em 2021.