O designer italiano Sergio Rossi morreu na passada sexta-feira, vítima de complicações provocadas pela Covid-19. Tinha 84 anos e estava a ser assistido no Hospital Maurizio Bufalini, em Cesena, no norte de Itália. O seu nome ficará para sempre associado aos sapatos de luxo, um império que ergueu ainda na década de 60 e que rapidamente se tornou numa das etiquetas mais cobiçadas por estrelas internacionais, incluindo em Hollywood.

Mestre é a expressão utilizada por Riccardo Sciutto, atual CEO da Sergio Rossi, para recordar o fundador. À Footwear News, recordou o último encontro que teve com designer, pela altura do Natal, durante uma visita ao arquivo da marca em Milão. “Ele estava maravilhado por ver tudo aquilo num único sítio. Disse-me: ‘Podia morrer aqui'”, recorda Sciutto.

Sapatos Sergio Rossi, 2003 © Edward Wong/South China Morning Post via Getty Images

Já o filho, Gianvito Rossi, também ele designer de calçado em nome próprio, optou por se despedir publicamente no Instagram com um “Adeus, Mestre”.

“Cresci no meio de sapatos. A casa do meu pai ficava por cima da fábrica. De certa forma, era o meu recreio. Comecei a trabalhar com o meu pai. Nem sequer consigo dizer quando é que isso aconteceu ao certo, porque estudava e estava na fábrica ao mesmo tempo — as coisas misturavam-se. Ali, tive a oportunidade de aprender tudo, de estar ao lado do meu pai, de viajar por todo o mundo”, recordou Gianvito Rossi em entrevista ao Observador, em outubro do ano passado.

Para os Rossi, os sapatos são um legado passado de geração em geração. Também Sergio herdou o ofício do pai. Começou a vender os primeiros modelos em lojas da cidade de Bolonha, ainda em 1966. Dois anos depois, criava a marca homónima. Os saltos altos e os detalhes glamorosos conquistaram outras marcas — Versace, Dolce & Gabbana e Azzedine Alaïa chegaram a usar criações do italiano –, enquanto celebridades como Paris Hilton e Rihanna se tornavam fãs da marca ao longo dos últimos anos.

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Em 1999, a marca foi vendida ao grupo de luxo hoje conhecido como Kering, já na altura proprietário da Gucci. Em 2015, uma nova transação, desta vez para as mãos da Investindustrial, já sem o fundador ao leme da empresa.

No último mês, a marca Sergio Rossi havia anunciado um donativo de 100 mil euros ao Hospital ASST Fatebenefratelli Sacco, em Milão, para combater a epidemia.