A consultora Capital Economics considerou esta segunda-feira que os países africanos estão a preparar uma “vaga de reestruturações” da dívida pública, numa altura em que o G20 prepara um plano específico de ajuda para o continente.

“A pandemia da Covid-19 e os preços baixos das matérias-primas estão a colocar pressão na maioria das economias africanas, empurrando muito países para mais perto do incumprimento financeiro”, diz o analista Virág Fórizs numa nota sobre o impacto da pandemia em África.

“Para além da Zâmbia, que já está a preparar a reestruturação da dívida, os riscos de incumprimento financeiro são mais elevados na Etiópia, Angola e no Gana”, acrescenta o analista, que dá conta que o plano de ajuda do G20 para África será fundamental para ajudar estes países.

O alerta do analista surge na mesma altura em que a Moody’s reviu em baixa a opinião sobre a qualidade do crédito soberano da Zâmbia, depois de ter feito o mesmo a Angola na semana passada e de ter igualmente descido o ‘rating’ da Argentina e do Equador.

O site informativo ‘Politico’ deu conta no final da semana passada que a França e a Itália estavam a liderar um movimento para preparar um plano de ajuda específico para África, um continente onde a pandemia ainda está na fase inicial, mas cujo desenvolvimento pode ser especialmente gravoso devido à fraca solidez dos sistemas de saúde.

“A solidariedade durante estes tempos sem precedentes na nossa história não se refere a vagos gestos de empatia, mas verdadeira cooperação”, dedenfeu o porta-voz da União Africana, Ebba Kalondo, salientando que “não se trata de caridade, honestamente é senso comum e a nossa sobrevivência comum depende disso”, acrescentou.

O G20, o grupo dos 20 países mais industrializados, injetou já este mês 5 biliões de dólares na economia global, notando o “sério risco” que a pandemia de Covid-19 representa para África devido à fragilidade dos sistemas de saúde.

No entanto, não existe ainda uma proposta financeira concreta relativamente ao continente, embora uma das ideias debatidas com o Presidente da França, Emmanuel Macron, foi a canalização das verbas do fundo global para o comabte à SIDA, tuberculose e malária para a Covid-19, de acordo com o site Politico.