A Ordem dos Médicos (OM) e o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) insistem na necessidade de serem disponibilizados todos os dados relativos à Covid-19 em Portugal para melhorar a qualidade dos cuidados prestados aos doentes.

“A disponibilização e análise independente dos dados relativos à infeção Covid-19 é fundamental para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde prestados”, sublinham as duas entidades, num comunicado conjunto hoje divulgado.

Na nota, a OM e o CEMP sublinham que esta disponibilização dos dados pelas entidades competentes é importante para a produção de conhecimento de forma a responder a questões de interesse clínico, como, por exemplo, a identificação de fatores de prognóstico da infeção ou o esclarecimento de controvérsias relativas ao “potencial papel de certas medicações que ainda não foram devidamente testadas”.

Consideram ainda que a análise destes dados pode ajudar os decisores a tomar as medidas mais adequadas para minorar o risco de sobrecarga dos serviços de saúde, dando como exemplo um estudo assinado pelo diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto não qual eram “avaliadas as implicações sanitárias e económicas subjacentes ao aumento de execução de testes para a infeção covid-19”.

Dizem também que a disponibilização de todos os dados relativos à Covid-19 pode ainda servir para ajudar os profissionais que estão no terreno, “nomeadamente em aspetos que vão desde a recolha à análise de informação relativa aos doentes“, ajudando a minorar as dificuldades na gestão destes doentes.

A “transparência e subsequente aumento da confiança dos cidadãos nas instituições, face aos sacrifícios pedidos” é outro dos motivos apontados.

A disponibilização dos dados, a cientistas e académicos independentes, constitui um ato de transparência que contribui para mitigar eventuais desconfianças em relação aos dados oficiais apresentados pela Direção-Geral da Saúde (DGS)”, acrescentam.

Na nota, tanto a OM como o CEMP recordam que têm vindo a solicitar à DGS a disponibilização de todos os dados relativos à covid-19 em Portugal e que tal “motivou, inclusive, uma carta aberta e uma petição pública online contando com mais de 5.000 assinaturas e cujos signatários incluem os diretores e presidentes das escolas médicas portuguesas”.

Na sequência dessas ações, o primeiro-ministro comunicou que a DGS iria passar a libertar “todos os dados anonimizados” de forma a permitir o acesso livre a todas as equipas de investigação“, recordam a duas entidades, sublinhando que, até ao momento, tal não aconteceu.

Não obstante, tal não se concretizou na prática até ao momento, apesar da introdução de uma clausula de libertação dos dados no decreto de renovação do estado de emergência”, frisam.

A Ordem dos Médicos e o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas insistem que querem ajudar o país e garantem “a maior transparência e independência de análise e tratamento dos dados”.

A Covid-19, causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, é uma infeção respiratória aguda que pode desencadear uma pneumonia.

Portugal, em estado de emergência até 17 de abril e onde o primeiro caso foi confirmado em 2 de março, está já na terceira e mais grave fase de resposta à doença (Fase de Mitigação), ativada quando há transmissão local, em ambiente fechado, e/ou transmissão comunitária. Os últimos dados registam 311 mortes e 11.730 infetados em Portugal.

Detetado em dezembro de 2019, na China, o novo coronavírus já infetou já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil. Dos casos de infeção, cerca de 250 mil são considerados curados.