O presidente da Câmara da Golegã decidiu antecipar a aplicação do decreto que impede a circulação entre concelhos, tendo colocado, na terça-feira, sinalética nas estradas municipais indicando acesso exclusivo a moradores e pessoas em serviço indispensável ou autorizado.

José Veiga Maltez disse à Lusa que a decisão de antecipar a medida decretada pelo Governo para vigorar entre quinta-feira e o final de segunda-feira se prende com o facto de, no seu concelho, existirem 500 segundas habitações e querer evitar que os seus proprietários aí se instalem no período da Páscoa, como acontece noutros anos.

Frisando que a Golegã (no distrito de Santarém) regista, até ao momento, apenas um caso de infeção pela Covid-19, confirmado no passado dia 31 de março, e sete pessoas em vigilância ativa, o autarca considera que seria uma irresponsabilidade permitir a chegada de pessoas que podem ser potenciais focos de contágio.

Como médico e como presidente da Câmara tenho a responsabilidade de proteger a população num concelho em que 25% dos moradores têm mais de 60 anos”, declarou.

Veiga Maltez frisou que nada garante que as pessoas não iriam antecipar as deslocações sabendo que a partir de quinta-feira estariam impedidas de o fazer.

Sublinhando que não colocou barreiras nem interferiu com as estradas nacionais, o autarca afirmou que apenas colocou, em todas as estradas municipais, uma placa amarela com um sinal de circulação proibida e a frase “Exceto moradores e serviços indispensáveis ou autorizados”.

O concelho da Golegã tem 5.375 residentes (2018).

Em Portugal, segundo o balanço feito esta quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 380 mortes, mais 35 do que na véspera (+10,1%), e 13.141 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 699 em relação a terça-feira (+5,6%). Dos infetados, 1.211 estão internados, 245 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 196 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 0h de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril, depois do prolongamento aprovado na quinta-feira na Assembleia da República.