Os hospitais de Pádua e de Verona estão a levar a cabo uma série de testes experimentais sorológicos — ou seja, testes que têm capacidade de detetar se uma pessoa desenvolveu anticorpos contra o novo coronavírus e está, assim, imune à Covid-19.

Mario Plebani, diretor do Departamento Laboratorial de Medicina do hospital de Pádua relembra, em entrevista ao Corriere della Sera, que “a serologia não faz milagres”, mas que este método experimental pode ajudar, nomeadamente na identificação dos profissionais de saúde infetados e entretanto recuperados — que, caso estejam imunes, já podem regressar à linha da frente.

Os profissionais de saúde das áreas de emergência, doenças infecciosas e cuidados intensivos são aqueles que estão neste momento a serem testados, por serem os mais expostos à doença. O hospital de Pádua está a levar a cabo cerca de 800 testes sorológicos por dia, em que o sangue recolhido é analisado, com o laboratório a ser capaz de processar cerca de 180 amostras por hora.

“Estamos a iniciar o estudo para compreender quando é que os anticorpos protetores se desenvolvem e obter uma base científica que nos diga em que altura devemos recolher amostras de sangue para detetar quando é que a doença tem início e em que casos é que surgiu imunidade”, explicou Plebani. A equipa já conseguiu detetar o momento em que os anticorpos se começam a desenvolver: “Entre o 12.º e o 15.º dia da infeção. Contudo, não sabemos até quando dura”.

O objetivo da equipa é desenvolver estes testes e poder depois aplicá-los a outras pessoas para lá dos profissionais hospitalares.

A investigação tem sido recebida com dúvidas, com a Associação Italiana de Microbiologistas a apontar que não é possível saber até quando duram esses anticorpos e se eles correspondem exatamente a uma imunidade. Plebani responde que não é possível responder ainda a essas perguntas, quando os testes começaram “há apenas 15 dias”. Mas promete continuar a investigar.