O PAN considerou esta quarta-feira que o atual ano letivo “não tem de ser um ano perdido” e defendeu aulas presenciais apenas para disciplinas do ensino secundário sujeitas a exame, mas apontou críticas à telescola, um “modelo antiquado e unidirecional”.

Trouxemos uma mensagem ao senhor primeiro-ministro de que este ano letivo não tem de ser um ano perdido. E nessa medida entendemos que, como sabemos, não há neste momento condições para libertar a comunidade escolar para o ensino presencial, os dados demonstram-nos isso”, disse o porta-voz do PAN aos jornalistas.

André Silva falava após uma reunião com o primeiro-ministro, António Costa, que decorreu na residência oficial, em Lisboa.

Para o PAN, apenas os alunos dos 11.º e 12.º ano anos deveriam regressar às escolas, pois “são aqueles alunos que têm que fazer exames das específicas e exames de acesso ao ensino superior”.

Estes alunos do 11.º e 12.º ano precisam mesmo de fazer os exames e, se necessário for, alagar apenas e só a estes alunos para que possam ter estas aulas presenciais e possam fazer os exames”, insistiu, assinalando que “os alunos do ensino básico podem continuar, até ao final do terceiro período, em ensino à distância com as notas a serem dadas pelos senhores professores”.

O ensino presencial deve “estar circunscrito apenas e só àquelas 22 cadeiras que são obrigatórias a realização das provas específicas”, continuou.

André Silva defendeu igualmente que, se for necessário “adiar os prazos da realização exames, os prazos do fim do ano letivo e que tenha que haver adaptações nesse sentido, quer na extensão deste ano letivo, quer numa adaptação no início do próximo ano letivo, que isso possa ocorrer para que, quer este, quer o próximo ano, não tenham que ser anos letivos perdidos”. Na ótica do líder do PAN, “a telescola não é a solução” porque é “um modelo antiquado, unidirecional, e que deve ser apenas e só um complemento, deve ser ministrado supletivamente”.

Se for a única solução afasta a comunidade educativa, afasta os alunos dos professores”, relação que “é importante” que “continue a existir” para que as aprendizagens “seja feitas de uma forma consolidada”, advogou.

André Silva assinalou também que, uma altura em que não se sabe quando é que os alunos poderão voltar às escolas, “importa desde já apostar num dos pilares do programa de Governo, que é a transição digital, e garantir que todos os alunos, todos os agregados familiares tenham acesso a um computador e acesso à rede”.

Questionado sobre as medidas que o Governo transmitiu ao PAN que quer implementar, o porta-voz disse apenas que o executivo “otimista no sentido de que consigamos dentro de três ou quatro semanas libertar alguma da comunidade escolar para as aulas presenciais”, deixando os anúncios para o primeiro-ministro.

Nós temos uma posição mais cautelosa, na medida em que nós defendemos que, por uma questão de precaução, que os alunos deveriam estar em ensino à distância e, para isso, sermos capazes, enquanto país, de fazermos a transição digital necessária para o efeito”, contrapôs.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 82 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito esta quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 380 mortes e 13.141 casos de infeções confirmadas.