Portugal está a preparar-se para uma eventual subida acentuada do número de mortos na sequência da pandemia da Covid-19, através do reforço da capacidade para acolher cadáveres.

De acordo com a edição desta quarta-feira do Jornal de Notícias, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) fez recentemente um levantamento dos stocks de urnas que existem nas funerárias portuguesas para tentar perceber qual a capacidade que existe a nível nacional.

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Ao mesmo tempo, o Ministério da Justiça — que tutela o Instituto de Medicina Legal — está a reforçar a capacidade frigorífica existente em vários pontos do país.

“Já se procedeu ao reforço em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Castelo Branco, Faro, Portimão e Vila Franca de Xira”, disse ao JN uma fonte oficial do Governo. “Continuará a proceder-se ao reforço noutros locais, sempre que necessário.”

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A título de exemplo, de acordo com o JN, no Hospital de Braga já está instalado um camião-frigorífico destinado a apoiar a morgue do hospital — e naquela unidade ainda vão ser instaladas mais duas câmaras frigoríficas.

As agências funerárias também já se estão a precaver para um cenário de aumento significativo do número de mortos — mas apenas “por precaução” —, segundo disse ao mesmo jornal o presidente da Associação de Agentes Funerários de Portugal, Vítor Teixeira.

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Nos países mais afetados pela pandemia na Europa, como Espanha e Itália, além dos serviços de saúde, também os serviços funerários estão à beira do colapso, sem capacidade para fazer os funerais a todas as vítimas mortais da Covid-19 e, sobretudo, com dificuldades acrescidas devido aos cuidados necessários para lidar com um cadáver de uma pessoa infetada com a doença.