Todos os profissionais de saúde e utentes de um lar no Nordeste, na ilha de São Miguel, onde foi detetado um caso positivo de Covid-19, já foram testados, tendo sido identificados 11 novos casos positivos.

Neste momento nós temos todos os utentes e funcionários da estrutura residencial para idosos no Nordeste diagnosticados”, avançou esta quinta-feira o responsável da Autoridade de Saúde Regional dos Açores, Tiago Lopes, no ponto de situação diário sobre a evolução do surto, feito em Angra do Heroísmo, acrescentando que foram testadas “mais de 90 pessoas”.

Na terça-feira, foi detetado o primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus num lar de idosos nos Açores, uma mulher de 88 anos, que terá sido infetada no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, onde esteve internada, antes de ter sido transferida para o lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste.

Na sequência deste caso, as autoridades decidiram testar todas as pessoas relacionadas com a estrutura residencial, tendo sido confirmados resultados positivos de Covid-19 em outros quatro utentes, um dos quais morreu entretanto esta quinta-feira “com uma paragem cardiorrespiratória”, e em sete profissionais de saúde.

Os utentes infetados serão agora transferidos para o Centro de Saúde do Nordeste, onde será criada uma enfermaria de Covid-19, com “uma equipa dedicada da Unidade de Saúde de São Miguel”, que terá a colaboração dos especialistas do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada. Quanto aos utentes que estavam internados neste centro de saúde, serão “testados e transferidos para outras unidades” de saúde da ilha de São Miguel.

Os funcionários do lar infetados ficarão isolados em contexto domiciliário ou, nos casos em que tal seja necessário, em unidades hoteleiras disponibilizadas para acolher profissionais de saúde com Covid-19.

À partida não houve grande propagação dentro da estrutura residencial de idosos. Não tendo existido esta grande propagação, vamos fazer esta separação entre positivos e negativos”, afirmou Tiago Lopes.

A delegação de saúde do Nordeste já identificou, entretanto, 70 contactos próximos dos funcionários infetados, que serão testados, sempre que possível, no centro de rastreio de colheitas criado no concelho.

O responsável da Autoridade de Saúde Regional rejeitou que já se tenha atingido uma “transmissão comunitária” na região, alegando que ainda é possível identificar “quem infetou quem” e qual o “percurso do surto”.

Não podemos estar à frente do surto, temos de estar sempre a correr atrás. Não é uma evidência de ineficiência ou ineficácia, é mesmo esta a forma de atuar perante um surto epidémico e pandémico”, salientou.

A utente que esteve na origem desta nova cadeia de transmissão do novo coronavírus no lar do Nordeste foi infetada por profissionais de saúde do Hospital do Divino Espírito Santo e não foi testada antes de ter alta.

Tiago Lopes admitiu que as misericórdias dos Açores já reivindicavam a realização de testes em utentes admitidos nos lares há várias semanas, mas disse que na altura da transferência desta utente para o lar do Nordeste o contexto do surto no arquipélago ainda não o justificava.

Nós não tendo vislumbre de transmissão local nessa altura, nada justificaria a realização de testes sem esse critério”, explicou.

Só “a partir do momento em que se verificou a existência das primeiras cadeias de transmissão”, disse, foi dada indicação para que “fosse feito um teste de diagnóstico para infeção pelo novo coronavírus” em “todas as novas admissões em estruturas residenciais para idosos ou para unidades de cuidados continuados integrados”.

Questionado sobre a existência de material de proteção individual no lar do Nordeste, o responsável da Autoridade de Saúde Regional disse que a utilização destes equipamentos “não assegura por si só a não transmissão da infeção”.

Independentemente da existência ou não de equipamento de proteção individual, se forem tomadas as precauções básicas, muitas das vezes conseguimos ter muito mais eficácia e eficiência na evicção da transmissão da infeção”, apontou, alegando que se não tivessem sido adotadas as medidas adequadas neste caso o panorama seria “bastante mais gravoso”.

Foram registados até ao momento nos Açores 84 casos de Covid-19 (47 em São Miguel, 11 na Terceira, 10 no Pico, sete em São Jorge, cinco no Faial e quatro na Graciosa), verificando-se três recuperações na ilha Terceira e dois óbitos na ilha de São Miguel.